Washington realiza operações militares secretas enquanto Trump minimiza risco de retomada do conflito
Mateus Conte
Os Estados Unidos atacaram a ilha iraniana de Qeshm nesta segunda-feira, 2, em mais uma operação militar de pequena escala contra o Irã. Segundo autoridades norte-americanas ouvidas pelo The Wall Street Journal, Washington realiza ataques secretos contra o país há várias semanas, apesar das declarações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de um acordo diplomático.
O ataque ocorre um dia antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA. Nesta segunda-feira, Trump minimizou a possibilidade de uma retomada da guerra contra o Irã. “Tivemos uma guerra com o Irã, nós vencemos”, afirmou o presidente a jornalistas. “Nem sei se dá para chamar de guerra, porque não estamos combatendo há meses.”
Entretanto, autoridades norte-americanas confirmaram ao jornal que os EUA continuam realizando operações militares limitadas contra alvos iranianos. Algumas delas classificaram os ataques como medidas defensivas para impedir que o Irã ameace embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
Diferente das operações anteriores, Washington não anunciou publicamente os ataques recentes. Segundo uma autoridade, o governo mantém as ações em sigilo para evitar sinais de que pretende retomar operações militares de maior escala.
A Ilha de Qeshm fica na entrada do Estreito de Ormuz e abriga uma instalação subterrânea de mísseis, uma base naval e uma importante unidade de dessalinização. Os EUA já atacaram o território em fases anteriores do conflito.

Trump fala com repórteres antes de embarcar para a Carolina do Sul Foto: Reprodução/X/@clashreport
Trump avalia alternativas militares contra o Irã
De acordo com o Wall Street Journal, integrantes do governo norte-americano discutem novas ações contra o Irã, que incluem ataques aéreos, ampliação de sanções econômicas e endurecimento do bloqueio ao comércio iraniano.
Na semana passada, o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA, visitou a Casa Branca para apresentar alternativas militares a Trump. Além disso, as Forças Armadas reforçaram os sistemas de defesa antimísseis e munições na região. O governo dos EUA ainda alertou países do Golfo Pérsico sobre a possibilidade de uma operação militar curta e intensa depois das eleições.
Em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, declarou que “a bola está com os EUA” em relação a um possível acordo para encerrar a guerra. “Nossas exigências foram apresentadas de maneira muito clara e transparente, e as exigências do Irã são razoáveis e lógicas”, afirmou Baghaei.

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