Pedido ocorreu durante prisão domiciliar do ex-banqueiro; PF identificou invasão e interrompeu a ação
Letícia Alves
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso desde março de 2026 na 'Papudinha', em Brasília | Foto: Reprodução
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encomendou em janeiro um ataque hacker para impedir a Polícia Federal (PF) de acessar dados de seu celular apreendido. Na ocasião, ele cumpria prisão domiciliar em São Paulo.
O ex-banqueiro pediu ao emissário Thiago Miranda que invadisse o iCloud da Apple para apagar informações do aparelho sob custódia policial. Vorcaro também ordenou a exclusão de dados do cunhado Fabiano Zettel. O operador financeiro efetuava pagamentos a autoridades por empresas e fundos ligados ao Master.
As informações foram divulgadas inicialmente pela revista Piauí. Sobre esse caso, as defesas de Vorcaro e Miranda não se manifestaram.
PF identificou invasão e interrompeu ação
A força-tarefa da Operação Compliance Zero mantinha o celular havia dois meses. Relatórios da PF incluíram diálogos do ex-banqueiro, o que revela que a tentativa fracassou.
Miranda acionou o especialista em segurança cibernética Thiago Santos. O plano previa apagar os dados antes da extração pela PF. Santos acessou o iCloud, mas policiais identificaram a invasão e interromperam a ação.
O empresário Thiago Miranda, emissário de Vorcaro | Foto: Reprodução/ Redes sociaisSantos negou irregularidades. “A única manifestação que fiz foi à PF durante meu depoimento no fim de julho”, afirmou. “Volto a afirmar que não fizemos qualquer tipo de obstrução.”
Vorcaro também pedia a Miranda que derrubasse matérias de sites de notícias. A PF aponta o publicitário como intermediário entre o ex-banqueiro e influenciadores contra o Banco Central depois da liquidação do Master. A defesa, porém, nega ilegalidades.
A PF investiga Vorcaro por fraudes no sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção. Preso em novembro de 2025 e março de 2026, ele segue detido na Papudinha, em Brasília.

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