Governador reeleito defende rastreamento de dinheiro ilícito e classificação de PCC e CV como organizações terroristas
Letícia Alves
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o alinhamento entre os governos federal e estadual vai ampliar o combate ao crime organizado. Em entrevista ao Arena Oeste nesta quinta-feira, 8, ele defendeu o rastreamento de recursos ilícitos e a classificação de facções como organizações terroristas.
“O crime organizado realmente preocupa e precisa ser enfrentado com coragem”, disse. Tarcísio apontou a infiltração de criminosos no mercado legal e em atividades lícitas como um dos desafios para combater a lavagem de dinheiro. Afirmou, porém, que com o apoio das instituições federais, isso se torna mais fácil.
Ele citou informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central e da Receita Federal, além do uso de inteligência artificial, como instrumentos para identificar a origem e o destino do dinheiro do crime. “Não é possível que a gente não consiga monitorar, rastrear pra onde tá indo o dinheiro, a origem ilícita de determinados recursos”, afirmou.
A declaração ocorre enquanto seu aliado Flávio Bolsonaro (PL) está à frente nas pesquisas do segundo turno presidencial. Flávio defende o endurecimento do combate às facções e sua classificação como terrorismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição, é contrário à medida.
Rastreamento financeiro e fiscalização dos bancos
Ao defender o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, Tarcísio rejeitou o argumento de que a medida ameaça a soberania brasileira.
Como exemplo, o governador citou a classificação de organizações mexicanas de tráfico de drogas como terroristas pelos Estados Unidos. Segundo ele, a medida torna os bancos mais exigentes na fiscalização da origem e da movimentação dos recursos. “A mesma coisa vai poder acontecer aqui”, disse.
Tarcísio também questionou a disposição do governo petista para enfrentar as facções. “Em que medida o governo do PT queria de fato enfrentar o crime organizado? Agora a gente vai ver a coisa diferente.”

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