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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Quem é Adolfo Sachsida, cotado para a Fazenda no governo Flávio

O que coloca o economista à frente é a combinação de confiança da família Bolsonaro e peso técnico

Yasmin Alencar


Ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, participa do programa Voz do Brasil | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O nome de Adolfo Sachsida é o mais forte para o Ministério da Fazenda, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das eleições no domingo 25. Conforme apurou Oeste, o economista é tratado como o nome para a pasta, enquanto integrantes do antigo governo de Jair Bolsonaro (PL) vêm sendo sondados para compor cargos no ministério.

O que coloca Sachsida à frente é a combinação de confiança da família e peso técnico. Entre os concorrentes estão Roberto Campos Neto, Marcelo Kayath e Alexandre Bettamio, e a leitura entre aliados é que o ex-presidente terá influência decisiva na escolha. O nome do economista também aparece com prioridade para o Planejamento e Orçamento, com menções à Infraestrutura e à presidência da Petrobras.

A trajetória

Natural de Londrina, onde nasceu em 1972, Sachsida é formado em ciências econômicas e em Direito, doutor em economia pela UnB e com pós-doutorado na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos. É servidor de carreira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desde 1997. Ganhou projeção nacional ao lado de Paulo Guedes quando comandou a Secretaria de Política Econômica de janeiro de 2019 a fevereiro de 2022, no período em que o governo aprovou sua agenda de reformas, e assinou com o ex-ministro o livro A Política Econômica Brasileira no Período 2019-2022.

Em maio de 2022, com a pressão sobre os combustíveis no auge, assumiu o Ministério de Minas e Energia, no lugar de Bento Albuquerque.

Fora do governo, manteve-se na linha de frente do debate econômico: criticou a nova regra fiscal e passou a defender uma regra guiada pela trajetória da dívida pública em relação ao PIB, em vez de só limites de despesa. Em 18 de agosto, entrou formalmente na equipe econômica da campanha de Flávio, inicialmente sob a coordenação de Daniella Marques, e hoje responde pelo núcleo econômico. Sachsida já disse que um eventual governo pretende preservar o Bolsa Família e o BPC. Além de afirmar que, não vai acontecer privatizações no Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras.

O que ele prega

A plataforma que Sachsida ajuda a desenhar parte de uma tese simples: para ele, o governo é a raiz da inflação. “Em 90% dos casos, aumento de preço é culpa do governo”, disse em entrevista a Oeste em setembro, ao atribuir a alta de preços — do supermercado à bomba — a excesso de gasto público e à retomada de tributos que haviam sido reduzidos ou zerados.
Adolfo Sachsida atua na formulação do programa econômico de Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução/Instagram/Adolfo Sachsida

Para sustentar o argumento sobre gastos, recorre à comparação entre os ciclos: segundo ele, o governo passou de 19,4% do PIB em despesas em 2018 para 18% em 2022, e “Bolsonaro foi o primeiro e único presidente desde a redemocratização a terminar o mandato gastando menos do que quando entrou”. Hoje, afirma, a dívida está acima de 82% do PIB, e o reequilíbrio levaria cerca de um ano e meio.

O plano econômico, segundo o economista, se organiza em três pilares: a consolidação fiscal, tida como a mais urgente; o aumento da produtividade, por desburocratização, digitalização dos serviços públicos e segurança jurídica; e a inclusão social produtiva, que facilite a abertura da primeira empresa. Na leitura dele, o ajuste tem de vir pelo corte de despesas, e não por novos tributos, com medidas como a redução do número de ministérios e o controle dos supersalários.

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