Senador eleito diz que equipe jurídica do petista apresentou versão restrita do documento; defesa percebeu e fechou transparência total
Vanessa Araujo
O senador eleito Deltan Dallagnol; ele integra a campanha de Flávio e cobrou a inclusão de todos os dados no acordo com a campanha de Lula | Foto: Reprodução/X
O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) afirmou nesta quinta-feira, 22, que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou excluir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Instituto Lula do acordo de quebra de sigilo. Segundo o parlamentar, a equipe jurídica do petista apresentou uma versão do documento com restrições. Os advogados de Flávio Bolsonaro (PL) perceberam a manobra e exigiram a abertura integral dos dados.
“É direito do povo saber”, declarou Dallagnol. “Os nossos advogados perceberam o golpe e tiveram que fazer uma série de inscrições à mão para esclarecer que a quebra do sigilo era total.” O senador eleito também afirmou que o candidato do PL concordou com a transparência completa desde o início.
De acordo com Dallagnol, a campanha petista protocolou uma versão do documento que renovava o compromisso, mas com restrições que excluíam o instituto e os registros ligados ao ex-dono do Banco Master. O ex-procurador classificou a atitude como uma tentativa de “dar um golpe” no acordo. A versão final, no entanto, foi ajustada para incluir todos os dados.
O acordo protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que Lula e Flávio autorizam a abertura total de seus sigilos bancário e telefônico. O documento prevê que as instituições financeiras e as operadoras enviem as liberações ao TSE até as 23h59 desta quinta-feira, 22.
“A abertura será imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos”, diz trecho do documento. O texto foi assinado por Lula e pela advogada de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri. A petição ainda depende de autorização do TSE.
Lula propôs a quebra de sigilo durante debate na TV Bandeirantes, no último domingo, 18. Flávio aceitou o desafio, mas impôs condições. Entre as exigências do candidato do PL estavam a abertura das contas de pessoas ligadas ao Instituto Lula, os gastos da primeira-dama Janja em viagens, a lista de visitantes de Vorcaro na Polícia Federal e a divulgação de mensagens trocadas com o ex-banqueiro. A campanha do candidato do PL escalou Dallagnol para analisar os documentos que a equipe de Lula apresentou.
Mendonça diz que candidatos podem renunciar ao sigilo por vontade própria
O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, afirmou que Lula e Flávio podem abrir os sigilos bancário e telefônico sem autorização judicial. Segundo ele, a medida depende apenas da vontade dos próprios candidatos. A declaração foi dada durante a análise do acordo protocolado pelas duas campanhas.
Mendonça explicou que a renúncia ao sigilo é um ato voluntário. O ministro ressaltou que a abertura das informações não substitui eventuais investigações em andamento. Ele também afirmou que o TSE não vai proibir a divulgação dos dados.
O acordo entre as campanhas prevê a entrega dos dados até as 23h59 desta quinta-feira. A divulgação ocorrerá de forma simultânea. Mendonça afirmou que a Justiça Eleitoral atuará apenas para garantir o cumprimento do combinado entre as partes. A corte não precisa expedir ordens para que os bancos quebrem os sigilos.

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