Presidente defende debate sobre escolha e mandato de ministros; campanha busca reduzir abstenções e ampliar votos no Nordeste
Letícia Alves
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira, 5, ser o único candidato “antissistema” e criticou o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele participou de uma reunião com aliados para definir estratégias para o segundo turno, no qual disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro.
“Porque só tem um candidato que é antissistema, e somos nós, não tem outro candidato”, disse o petista, que busca seu quarto mandato. “E estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias.”
O presidente defendeu um debate com a sociedade sobre os critérios de escolha dos ministros do STF e a possibilidade de estabelecer mandatos. “A verdade é que ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei”, afirmou.
Campanha de Lula mira eleitores que não votaram
Lula pediu a aliados que busquem os votos de quem não compareceu às urnas no primeiro turno. A abstenção chegou a mais de 33,4 milhões de pessoas, ou 21,08% do eleitorado apto a votar. Segundo ele, a campanha tem a responsabilidade de despertar o interesse dessas pessoas pelas eleições. O segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
O presidente também cobrou autocrítica da equipe. “A gente não tem que ficar procurando defeito que os outros cometeram que pode ter nos prejudicado”, declarou. “Não. Nós temos que procurar o que nós não fizemos corretamente, que a gente agora tem que fazer. Em 20 dias tem que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio.”
Lula demonstrou confiança na vitória e abordou a segurança pública. Ele afirmou que os Estados não conseguem enfrentar o crime sozinhos. “O Estado sozinho não dá conta da segurança pública”, disse.
Depois da reunião, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que “o segundo turno é uma outra eleição” e que Lula “saberá dialogar” com o Congresso Nacional. Ele definiu a disputa como um confronto direto de projetos.
Já ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse que a campanha também buscará ampliar a votação no Nordeste e reduzir as abstenções.

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