RADIO WEB JUAZEIRO : Lula diz que 'não há razão econômica, social e política' para não ser eleito



terça-feira, 6 de outubro de 2026

Lula diz que 'não há razão econômica, social e política' para não ser eleito

Petista afirma que desempenho do governo justifica reeleição e aponta abstenção como desafio para a campanha contra Flávio

Isabela Jordão


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois da votação do último domingo, 4 | Foto: Reprodução/CNN Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 5, que “não há razão econômica, social e política” para que não seja reeleito no segundo turno das eleições. O petista terminou a primeira etapa da disputa com 45% dos votos, atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47%.

Durante uma reunião de coordenação da campanha, em Brasília, Lula afirmou que os indicadores do governo são positivos e citou a segurança pública como um dos temas que precisam ser enfrentados na reta final da disputa.

Segundo o presidente, a União precisa ampliar sua participação no combate ao crime organizado. Ele atribuiu aos Estados a maior parte da responsabilidade pela segurança pública desde a Constituição de 1988.

“Em 1988, a responsabilidade passou para os Estados. Ficou claro que o Estado sozinho não dá conta. A bandidagem cresceu, ficaram sofisticados, entraram no Poder Judiciário, partidos, clubes de futebol”, disse.

Dos quase 159 milhões de eleitores no Brasil, 125 milhões compareceram às urnas | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Lula afirmou que uma das respostas do governo para a questão foi o envio ao Congresso da PEC da Segurança. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro, mas ainda não foi analisada pelo plenário.

“O que pudemos fazer foi mandar para o Congresso uma medida que a União tomaria mais conta”, declarou o petista. A expectativa do governo é conseguir apoio dos senadores para avançar com a proposta e reforçar, ainda no segundo turno, o discurso de combate ao crime organizado.

Na avaliação de Lula, outro desafio das próximas três semanas será mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. O presidente disse que a campanha precisa convencer esse grupo a participar da decisão.

“Vocês acham que eu não fiquei decepcionado? Eu sempre quero ganhar no primeiro turno. São 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com elas?”, afirmou.

Da esquerda para a direita: Haddad, Tebet, Lula, Marina Silva e Alckmin, durante votação neste domingo, 4; nenhum dos ministros foi eleito | Foto: Reprodução

Lula disse que a ausência pode estar relacionada ao desinteresse do eleitorado e atribuiu à própria campanha a tarefa de tentar reverter esse cenário. “Temos que convencer, a possível causa é desinteresse, e a responsabilidade é nossa.”

Abstenção supera 33 milhões

O primeiro turno registrou 33,4 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 21% do eleitorado apto, estimado em 158,7 milhões de pessoas. É o maior porcentual de abstenção desde 1998, quando chegou a 21,5%.

O número também supera o registrado nas eleições de 2022, quando 32,7 milhões de eleitores deixaram de votar. A quantidade de ausentes vem crescendo nos últimos pleitos: foram 27,7 milhões em 2014 e 29,9 milhões em 2018.

Quem não votou precisa justificar a ausência à Justiça Eleitoral no prazo de 60 dias. Se a justificativa não for apresentada ou não for aceita, o eleitor fica sujeito ao pagamento de multa de R$ 3,51.

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