Presidente afirmou que ex-juiz e ex-procurador foram responsáveis por sua condenação na Lava Jato
Isabela Jordão
Lula havia agendado participação no Flow Podcast durante o horário em que aconteceria o debate presidencial na Globo | Foto: Reprodução/YouTube
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o senador Sergio Moro (PL-PR), candidato ao governo do Paraná, de “canalha” e o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR), que disputa uma vaga no Senado, de “bandido” durante entrevista ao Flow Podcast na noite desta quinta-feira, 1º.
As declarações ocorreram no mesmo horário em que estava previsto o debate presidencial da TV Globo, cancelado pela emissora pouco antes do início, diante de decisões do Judiciário que interferiam no andamento da programação.
Ao comentar o caso que envolve a lobista Roberta Luchsinger e seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Lula afirmou que o filho “terá de prestar contas” à sociedade. O presidente comparou a situação com o período em que foi preso em decorrência de sua condenação no processo do triplex do Guarujá.
“Quando eu estive acusado da maior infâmia jurídica que já foi feita neste país, eu poderia ter saído do Brasil, eu poderia ter ido para uma embaixada, eu resolvi ir para a Polícia Federal, porque eu queria provar o canalha que era o Moro, queria provar o bandido que era o Dallagnol”, afirmou Lula.
Lula relembra prisão e condenações da Lava Jato
A condenação de Lula em primeira instância foi proferida por Moro, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, com base em denúncia apresentada pela força-tarefa da Lava Jato, do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná. A operação foi deflagrada em 2014 pela Polícia Federal e pelo MPF para investigar esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que envolviam a Petrobras, empreiteiras e políticos.
Lula ficou preso de abril de 2018 a novembro de 2019. Anos depois, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações do petista por questões relacionadas à competência da Justiça Federal de Curitiba e reconheceu a suspeição de Moro no caso do triplex. Com as decisões, Lula recuperou os direitos políticos e pôde disputar a Presidência em 2022.
Deltan Dallagnol e Sergio Moro, ex-integrantes da Lava Jato | Fotos: Agência BrasilDurante a entrevista, o presidente também criticou a cobertura da imprensa sobre seu caso. “O que eu fico chateado às vezes é que a imprensa avacalha com você a vida inteira, depois não tem coragem de pedir desculpas”, disse.
Lula afirmou ainda que passou 580 dias preso sem receber um pedido de desculpa dos responsáveis pelas acusações. “Ninguém que me acusou pediu desculpa. Ninguém. Mas um dia vai pedir, daqui a uns 50 anos.”
Na mesma fala, o presidente citou a postura da Globo em relação ao regime militar. “Como a ‘Globo’ só reconheceu o golpe militar depois de 50 anos, quem sabe um dia ela reconheça que eu era inocente”, afirmou.
Debate da Globo foi cancelado
Lula havia informado na quarta-feira 30 que não participaria do debate presidencial da Globo. Na quinta-feira, Flávio Bolsonaro (PL), que estava confirmado, também desistiu do evento. O senador declarou que a decisão ocorreu em razão da “censura imposta ao evento” pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pouco antes do debate, uma decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio destinado a Lula e determinou que os demais candidatos não poderiam fazer perguntas dirigidas ao presidente ausente.
Outra decisão judicial, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a participação de Renan Santos (Missão). A sequência de decisões levou a Globo a cancelar o debate. Em nota, a emissora afirmou que as medidas alteraram regras previamente acordadas e provocaram “insegurança jurídica”.
Lula participou do Flow no mesmo horário em que o debate seria realizado. Na entrevista, realizada no Palácio da Alvorada, o presidente também criticou o formato dos debates com muitos candidatos e afirmou que esses encontros são “infrutíferos”.
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