Plenário não fez menção às mensagens entre Moraes e Vorcaro, embora os ministros reconheçam a crise nos bastidores da Corte
Cristyan Costa
O Supremo Tribunal Federal (STF) ignorou publicamente, nesta quarta-feira, 2, a crise desencadeada pelas novas mensagens de WhatsApp trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Banco Master.
Embora o episódio preocupasse integrantes da Corte nos bastidores, nenhum magistrado mencionou o assunto durante a sessão plenária.
Moraes permaneceu ao lado do relator do processo, André Mendonça, responsável por retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF). Os dois, contudo, não conversaram durante a abertura dos trabalhos nem se pronunciaram sobre as revelações.
Nem mesmo o decano do STF, Gilmar Mendes, que costuma se pronunciar em momentos de pressão sobre o tribunal, abordou a crise.
O presidente da Corte, Edson Fachin, deu prioridade a uma ação que previa manifestações dos advogados. A escolha reduziu o espaço para falas dos ministros.
No término da sessão, por volta de 18h, Fachin, Mendes, Cristiano Zanin e Moraes se reuniram no Salão Branco do tribunal e chegaram a dar gargalhadas. Nesse ínterim, Mendonça deixou a Corte e saiu andando em direção ao estacionamento.
Pressão sobre o STF pós-caso Master
O relatório da PF ampliou a pressão sobre Moraes e o tribunal. As conversas expõem encontros, contratos milionários e pedidos de ajuda feitos por Vorcaro ao ministro.
Embora os magistrados evitem manifestações públicas individuais, o conteúdo das mensagens provocou incômodo e preocupação dentro da Corte.
Mendonça defende a possibilidade de investigação de Moraes pelo plenário do tribunal.
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