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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Relatório do Coaf liga repasse do Banco Master a autoridade com foro

Alexandre de Moraes classifica documento como essencial para julgamento no plenário do ST

Erich Mafra


O Departamento de Organização do Sistema Financeiro identificou operações de crédito entre o Master e a Reag que somavam cerca de R$ 250 milhões | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes classificou um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como peça essencial para o seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o jornal O Globo, o documento revela o repasse de R$ 1 milhão feito por uma empresa ligada ao Banco Master para uma produtora de eventos associada a uma autoridade com foro privilegiado.

​A empresa DuBem Business, do empresário paraibano Netinho Lins, recebeu o dinheiro da Super Empreendimentos entre julho e setembro de 2024. A pagadora tinha como diretor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A produtora também recebeu R$ 1 milhão da Entre Investimentos, firma de Vorcaro usada no financiamento do filme Dark Horse.

Compra de avião e bloqueio judicial

Netinho Lins comprou um avião do senador Ciro Nogueira (PP-PI) por R$ 10 milhões no ano de 2023. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) bloqueou a aeronave por determinação do ministro André Mendonça no âmbito do caso Master. A Polícia Federal suspeita que Ciro Nogueira recebeu vantagens indevidas de Vorcaro em troca de apoio ao banco no Congresso.

​A produtora DuBem alegou a destinação dos valores para a realização de um festival de música cancelado. O empresário paraibano mantém proximidade com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com o deputado Arthur Lira.

Pedido da Polícia Federal no STF

​A Polícia Federal pediu o compartilhamento integral dos dados do Coaf ao relator André Mendonça no mês de março. Os agentes buscam a identificação formal da autoridade com foro citada nas comunicações bancárias. O relator ainda não respondeu à solicitação da corporação.

​A Super Empreendimentos movimentou R$ 19,6 milhões de forma atípica no período investigado. A empresa recebeu um aporte de R$ 2,5 bilhões de um fundo gerido pela Reag.

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