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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

PF teria ameaçado jogar Vorcaro de helicóptero

Em depoimento, ex-banqueiro relata tortura física, psicológica e intimidações para evitar acordo de colaboração premiada

Pâmela Zacarias


Daniel Vorcaro tentou, sem sucesso, firmar acordo de delação premiada | Foto: Divulgação/SAP

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou ter sofrido torturas físicas, psicológicas e ameaças de morte por parte de agentes da Polícia Federal (PF) durante transporte sob custódia. Em depoimento realizado pelo juiz auxiliar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o empresário afirmou que, durante um trajeto de helicóptero, policiais ironizaram sua situação e afirmaram: “É mais fácil, de repente, jogar ele daqui”.

De acordo com o depoimento prestado no âmbito da Petição 16.653, o ex-banqueiro declarou que as intimidações começaram no momento em que manifestou o interesse em assinar um acordo de colaboração com a Justiça.

“Antes daqui, eu fui torturado”, disse Vorcaro. “Essa é a realidade. Fui torturado psicologicamente e fisicamente em outros casos.”

O empresário cumpre prisão preventiva decorrente das investigações da Operação Compliance Zero.

Vorcaro relata maus-tratos

Durante a audiência, Vorcaro detalhou episódios em que esteve confinado em espaço reduzido por seis horas sem circulação de ar adequada. Ao desembarcar para um transporte aéreo, o investigado escutou de um agente a frase: “Isso que dá, você vai querer falar do chefe?”. Vorcaro não especifica o nome da autoridade a quem a expressão se referia.

O investigado também denunciou ter sofrido abusos na Penitenciária Federal de Brasília. Conforme seu relato, ao chegar à unidade ele foi confinado em uma cela com iluminação intermitente acesa 24 horas por dia. Vorcaro relata também o impedimento de contato com defensores nos primeiros dias de detenção.

Leia também: “Vorcaro atribui fracasso de delação a chefe da PF”

Na ocasião de sua chegada ao presídio, os agentes questionaram em qual pavilhão o detento preferia ficar. De acordo com Vorcaro, os agentes mencionaram organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.

O depoente relatou ainda que sua mãe e sua irmã receberam mensagens anônimas com ameaças explícitas de morte direcionadas a ele.

Resistência a acordo e menção a autoridades

O empresário afirmou que a série de pressões visava a impedir a revelação de fatos envolvendo figuras do ambiente político e institucional. Vorcaro ressaltou que, enquanto a Procuradoria-Geral da República demonstrou disposição para ouvir suas declarações, setores da PF impuseram barreiras ao avanço das tratativas.

No depoimento, o ex-banqueiro citou nominalmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com quem alegou ter mantido contatos cordiais em eventos sociais antes da eclosão da operação. O investigado alegou que suas colaborações não avançavam devido a pressões hierárquicas da corporação para que determinados assuntos não viessem à tona.

Ao fim da audiência, a defesa formalizou o pedido para que o cliente seja ouvido em ambiente seguro, de modo a permitir a retomada dos relatos. O juiz instrutor determinou o encaminhamento da ata e das mídias gravadas ao gabinete do ministro André Mendonça para a deliberação das medidas cabíveis.

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