RADIO WEB JUAZEIRO : PF diz que Vorcaro recebeu dados sigilosos do Banco Central



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

PF diz que Vorcaro recebeu dados sigilosos do Banco Central

Anotações no celular do ex-banqueiro citam integrantes do órgão e tratam da crise do Master durante negociação com o BRB

Letícia Alves


Caso Master: preso, Daniel Vorcaro avança para firmar acordo de delação premiada | Divulgação/SAP

Documentos revelados depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) tirou o sigilo do caso do Banco Master mostram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu informações confidenciais de integrantes do Banco Central (BC). Os dados são de relatório da Polícia Federal (PF).

A PF encontrou anotações no celular de Vorcaro sobre uma viagem a Abu Dhabi para um encontro com um interlocutor. Nos registros, ele descreveu a crise da instituição e disse ter recebido dados sigilosos de integrantes do BC.

Uma das notas afirma que uma pessoa identificada como “G” e outros diretores estavam sob pressão para agir. A PF identifica “G” como Gabriel Galípolo, presidente do BC. Segundo o registro, a pressão vinha da PF e do Ministério Público Federal (MPF), que ameaçavam tomar providências contra Vorcaro.

Em outra nota, intitulada “De pessoas de dentro do BCB que são meus amigos e ficaram preocupados”, Vorcaro afirmou que seus contatos participaram de uma reunião. Por isso, classificou os nomes e as medidas como 100% confiáveis e disse que não poderia “queimá-los”.

PF identifica contatos no Banco Central

A perícia também encontrou conversas de Vorcaro com Paulo Sergio Neves de Souza, chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Belline Santana, chefe do mesmo departamento.

Segundo a PF, o Desup é vinculado à Diretoria de Fiscalização do Banco Central. Os investigadores afirmam que os servidores atuavam diretamente em processos de interesse de Vorcaro e do Banco Master.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

No início de 2025, o Banco de Brasília (BRB) negociava a compra do Master. A operação equivalia a 75% do patrimônio líquido consolidado do banco, ou R$ 3,5 bilhões, com base nos números de junho de 2024.

O contrato condicionava o fechamento da operação à reorganização do banco, às autorizações do BC, à homologação dos aumentos de capital do BRB e do Master e às aprovações do Cade, do Banco Central e de outros órgãos de controle.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE