RADIO WEB JUAZEIRO : Moro quer presídio no Paraná com o nome de 'El Salvador'



terça-feira, 1 de setembro de 2026

Moro quer presídio no Paraná com o nome de 'El Salvador'

Candidato ao governo paranaense cita redução dos homicídios e retomada de territórios no país de Nayib Bukele

Tauany Cattan


Ex-juiz federal, Sergio Moro foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, anunciou nesta segunda-feira, 31, que pretende construir um presídio estadual de segurança máxima caso seja eleito. Segundo o parlamentar, a unidade será batizada de “El Salvador”, em referência à política de segurança pública adotada pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele.

O anúncio ocorreu durante um congresso sobre segurança pública promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. Moro apresentou a proposta ao ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, que participou do encontro.

Além de Moro, participaram o candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), e o ex-secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo e candidato ao Senado, Guilherme Derrite (PP).

O candidato ao governo paranaense afirmou considerar “inspiradora” a experiência do país caribenho no combate ao crime organizado. Para Moro, a criação de uma unidade estadual de segurança máxima daria ao Paraná maior autonomia para administrar presos considerados de alta periculosidade.

“Não sei exatamente o motivo, mas está havendo dificuldade hoje para a inclusão de novos presos”, afirmou Moro. Segundo ele, a intenção é ter um presídio estadual de segurança máxima para garantir “autonomia de gestão”.

O ex-juiz também relacionou a proposta à experiência que teve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moro afirmou que, durante sua gestão, houve aumento no número de presos encaminhados às penitenciárias de segurança máxima.

Ao justificar a escolha do nome para o presídio, Moro destacou a redução dos assassinatos e a retomada de territórios que antes estavam sob influência de organizações criminosas em El Salvador.

Ministro de El Salvador critica organizações de Direitos Humanos

A política de segurança implantada por Bukele ganhou projeção internacional pelo enfrentamento às gangues e pelo encarceramento em massa. Um dos símbolos do modelo é o Centro de Confinamento do Terrorismo, megapresídio que, segundo dados oficiais, tem capacidade para 40 mil detentos.

Durante o evento da Fiesp, Villatoro defendeu as medidas adotadas pelo governo salvadorenho. O ministro afirmou que o estado de exceção utilizado no país é uma ferramenta constitucional para combater o que classificou como um “Estado criminoso paralelo”.

O chamado “modelo Bukele” costuma pautar o debate eleitoral brasileiro. Candidatos à Presidência como Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) já defenderam medidas inspiradas na política de segurança de El Salvador.

A estratégia salvadorenha, contudo, é alvo de críticas de organizações internacionais de direitos humanos, que relatam eventuais prisões arbitrárias, supostas violações do direito de defesa e denúncias de maus-tratos nas penitenciárias. O governo de Bukele contesta as críticas e afirma que as medidas foram necessárias para recuperar áreas anteriormente controladas por gangues.

Sobre isso, Villatoro chamou de “hipócritas” as organizações dos direitos humanos. O ministro disse que um regime de exceção é um instrumento constitucional.

“Um regime de exceção não traz soluções debaixo da manga”, afirmou Villatoro. “É simplesmente a ferramenta constitucional com a qual declaramos guerra a um Estado criminal paralelo.”

Além disso, Villatoro acrescentou que a aprovação do governo de Bukele passa de 90%, bem como a popularidade em relação às medidas na segurança pública. De acordo com Guilherme Derrite, quase 100% aprovam o modelo do país.

O ministro disse que El Salvador passou de 3,9 mil homicídios em 2015 para 82 em 2025, uma queda de cerca de 98%. Também afirmou que a impunidade para homicídios, que chegaria a 97% antes da atual política de segurança, caiu a zero.

Segundo Villatoro, os resultados são consequência da combinação entre repressão às organizações criminosas, mudanças na legislação e uma atuação mais integrada das forças de segurança e do Judiciário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário.

COMPARTILHE