Falas sobre politização do TSE reforçam preocupação nos bastidores
Cristyan Costa
Os ministros Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes (25/02/2026) | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Ouvidos reservadamente pela Revista Oeste, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliaram que uma ala da Corte vem preparando terreno para uma eventual contestação do resultado eleitoral, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o pleito.
Um dos alvos é o relator do processo do Banco Master no STF, André Mendonça, cuja atuação seria supostamente parcial.
Na leitura dos magistrados consultados pela coluna, o movimento no STF passa pela “construção de uma narrativa” segundo a qual decisões judiciais, investigações e vazamentos estariam sendo contaminados por “interesses político-eleitorais”.
“Estão criando clima para isso”, afirmou um deles, enquanto outro acrescentou que o ambiente servirá para “sustentar dúvidas” acerca da neutralidade das instituições envolvidas no processo eleitoral.
O pano de fundo das discussões é o relatório da Polícia Federal (PF) que revelou a troca de mensagens, por WhatsApp, entre Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Banco Master.
No documento, havia pedidos de ajuda de Vorcaro ao juiz do STF.
O componente eleitoral
Parte desse alerta surgiu com manifestações públicas do decano do STF, Gilmar Mendes, a respeito do Master.
Na sessão em que poderia ter aberto uma investigação contra Moraes, Mendes acusou Mendonça de atuar com “inequívoco viés político-eleitoral”.
O decano dobrou a aposta ao chamar o colega de “pixuleco eleitoral”, visto que manifestantes inflaram um boneco de Mendonça, na Paulista, no 7 de Setembro.
Em outro momento da reunião no plenário, o decano afirmou que o fim do sigilo do processo, além do afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, haviam “ganhado tração conforme avançava o ciclo eleitoral”.
Meses antes, o próprio Mendes antecipou que o STF poderia servir como uma espécie de “instância revisora”, se o Tribunal Superior Eleitoral não atuar com imparcialidade durante a eleição deste ano. “Mais grave, porém, é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral”, publicou Mendes no X. “Quem tenta engajar o tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer.”
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