Carlos Brandão (MDB) afirma que abriu mão de candidatura ao Senado para que grupo aliado ao ministro do STF não assumisse a administração do Estado
Anderson Scardoelli
Carlos Brandão e Flávio Dino, governador e ex-governador do Maranhão, em registro dos tempos de aliança política, em 2022 | Foto: Divulgação/Gilson Teixeira
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), direcionou críticas ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o emedebista, o hoje magistrado segue a atuar como agente político no Estado nordestino.
Brandão afirmou que o grupo político ligado a Dino tenta retomar o controle do Poder Executivo local. Para o governador, a estratégia conta com apoio do vice Felipe Camarão (PT).
“Não se desgarraram do governo”, afirmou o político do MDB, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. “Entendi que eles não queriam mais espaço. Eles queriam a chave do Palácio dos Leões.”
O governador declarou que as cobranças por espaço na administração maranhense evoluíram para “um tom de ameaça”. “Começaram a me bater na tribuna [da Assembleia Legislativa do Maranhão]. “Depois começaram a mover processos, e aí foi se agravando.”
Alguns desses processos chegaram ao STF e tiveram Dino como relator. O ministro, de forma monocrática, barrou nomeações ao Tribunal de Contas do Maranhão. Além disso, o magistrado afastou Daniel Brandão, sobrinho do governador, da presidência da Corte de Contas.
Essas situações fazem Carlos Brandão criticar publicamente até mesmo o desempenho de Dino como juiz. De acordo com o emedebista, o ministro não poderia julgar casos referentes à política maranhense.
“Você acha justo um juiz julgar um amigo ou um adversário?”, indagou Brandão, durante a entrevista à Folha. “O correto seria ele se declarar impedido.”
Eleições 2026 no Maranhão: Carlos Brandão x Flávio Dino
Ainda em relação a Flávio Dino, Carlos Brandão afirmou que desistiu de se candidatar ao Senado nas eleições gerais deste ano justamente para não entregar o controle do Estado nordestino ao grupo político ligado ao ministro do STF.
Caso decidisse se candidatar a algum cargo público em 2026, Brandão teria de renunciar à função de governador até o começo de abril. Se isso ocorresse, Camarão, fã declarado de Dino, assumiria o comando da máquina pública estadual.
“Disseram: ‘Rapaz, tu vai entregar para o adversário? Aí a gente vai morrer'”, relatou Brandão. “Eu tinha toda chance de ser candidato a senador. Se eu fosse pensar em mim, eu tinha sido, mas o grupo não aceitou. Então eu fui para o sacrifício, deixei de ser candidato para salvar o grupo.”
Para o pleito deste ano, Camarão é candidato a governador. Em seu programa de governo, o petista cita Dino em 16 ocasiões como exemplo a seguir.
Na reta final de seu segundo mandato como governador, Brandão decidiu indicar Orleans Brandão (MDB), seu sobrinho, como candidato da situação ao Palácio dos Leões.
Hoje rivais, Dino e Brandão já foram parceiros na política maranhense. Juntos, foram eleitos e reeleitos governador e vice-governador, em 2014 e 2018. Brandão assumiu o governo em março de 2022, com a renúncia de Dino para se candidatar — e vencer — a eleição para o Senado daquele ano.
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