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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Gilmar pede 'profunda reforma' em instituições do país

Decano do STF tenta se distanciar do banqueiro depois de revelações sobre encontros e contratos de ex-cunhado

Erich Mafra


"O endereço do caso Master está também na Faria Lima", declarou o decano | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou as redes sociais no domingo, 27, para pregar uma “profunda reforma” no Judiciário e no sistema financeiro. O discurso moralizador do decano ocorre dias depois de mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) revelarem reuniões em seu gabinete ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O magistrado chamou o modelo do Banco Master de “parasitário” e cobrou apurações do Ministério Público e da OAB contra juízes e advogados. A postura defensiva tenta reverter o desgaste provocado no STF pelas mensagens encontradas no celular do dono da instituição financeira.

Omissão de trecho e reunião no gabinete

No dia 18 de setembro, Gilmar usou um trecho de mensagem de Vorcaro para alegar que sempre contrariou os interesses do banco. O ministro citou a frase “Gilmar está contra mim” para defender sua imparcialidade nos julgamentos de precatórios do setor sucroalcooleiro.

O decano omitiu o início da mensagem do banqueiro, que revelava um pedido urgente de ajuda antes do recebimento do empresário em seu gabinete no STF. A Polícia Federal registrou a audiência privada entre o magistrado e o dono do Banco Master para tratar das ações bilionárias.

Almoço com autoridades e contrato de R$ 500 mil

Mensagens de Vorcaro revelaram ainda a articulação do banqueiro com a cúpula de Brasília. “Vou estar no almoço com Gonet. Gilmar deve estar”, escreveu o dono do banco em recado enviado a um advogado em janeiro de 2024.

As investigações mostraram também que o ex-cunhado do ministro, Chiquinho Feitosa, recebeu contrato de R$ 500 mil mensais de uma empresa ligada a Vorcaro. A reação do decano em defesa do cancelamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios busca conter o impacto do escândalo sobre o STF.

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