País e União Europeia afirmaram acreditar que delegação era alvo da ofensiva; Rússia confirma ataque, mas nega intenção
Lucas Cheiddi
Um drone russo atingiu nesta segunda-feira, 14, um trem próximo a Yahodyn, no oeste da Ucrânia, a cerca de 2 quilômetros da fronteira com a Polônia. O ataque atingiu uma locomotiva, mas não deixou mortos ou feridos. Pouco antes, o ex-premiê britânico Boris Johnson e autoridades europeias de segurança haviam passado pelo mesmo trecho em outro trem.
O ex-chefe da CIA David Petraeus também estava na região. A empresa ferroviária ucraniana levantou a possibilidade de o ataque ter como alvo a composição que transportava a delegação.
A empresa ferroviária estatal ucraniana Ukrzaliznytsia afirmou que o trem com a delegação havia deixado a estação antes do previsto. Segundo a companhia, a mudança ocorreu diante das ameaças constantes de ataques russos.
Autoridades avaliam possível alvo
Boris Johnson | Foto: Simon Dawson/FlickrA Rússia confirmou ter atingido uma estrutura ferroviária no oeste da Ucrânia. A Ukrzaliznytsia, porém, levantou a possibilidade de o alvo ter sido o trem que transportava integrantes da delegação diplomática.
O ex-chefe da CIA David Petraeus estava em outro trem na estação de Yahodyn no momento do ataque. Ele classificou o episódio como assustador e acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de tentar aterrorizar civis ucranianos.
O ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt também estava em um trem que seguia para a Polônia. Segundo ele, os passageiros receberam orientação para se preparar para uma possível evacuação. Depois de alguns minutos, as autoridades liberaram a viagem, e a composição chegou com segurança à estação de fronteira em Dorohusk.
Não há confirmação de que Bildt estivesse no mesmo trem que Johnson.
Depois do ataque, Johnson afirmou que não entendia a lógica de uma ofensiva contra uma locomotiva parada na fronteira polonesa. Ele também defendeu o envio de mais sistemas de defesa aérea à Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, classificou o episódio como mais um ataque contra o país e pediu novas sanções contra Moscou.
Na Polônia, o primeiro-ministro Donald Tusk convocou uma reunião de emergência. Ele afirmou que a escalada russa está se aproximando cada vez mais da fronteira polonesa.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também condenou o ataque. Para ela, os países europeus devem demonstrar apoio à Ucrânia e não agir por medo da Rússia.
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