Presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal afirma que questionar a atuação dos agentes nos gabinetes não resolve os problemas da Corte
Victória Batalha
O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira, 3.
A crítica se deu depois de Gilmar defender a proibição da atuação de delegados da Polícia Federal (PF) nos gabinetes dos ministros do STF.
“É lamentável a postura do ministro Gilmar Mendes em relação à atuação dos delegados da Polícia Federal”, afirmou Paiva.
Segundo o presidente da ADPF, os profissionais destacados para os gabinetes dos ministros atuam em razão da experiência e do conhecimento técnico.
Agente da Polícia Federal em ação durante operação | Foto: Divulgação/PFPaiva afirmou que os magistrados não precisam dominar todos os temas que chegam à análise da Corte.
“O auxílio especializado é tradicionalmente promovido por advogados da União, juízes auxiliares e delegados, que dão suporte em uma melhor compreensão dos aspectos que permeiam uma investigação policial”, declarou.
O presidente da ADPF também rejeitou a possibilidade de responsabilizar os delegados pelos problemas enfrentados pelo STF.
“Certamente os problemas atuais da Suprema Corte não são responsabilidade dos delegados da Polícia Federal, nem dentro, nem fora da Polícia”, afirmou.
Segundo Paiva, “demonizá-los” pode ser uma forma de desviar a atenção dos problemas do STF. “Talvez demonizá-los seja apenas o caminho mais fácil para tirar o foco dos problemas que realmente merecem solução”, declarou.
Gilmar Mendes defendeu retirada de delegados dos gabinetes
Gilmar Mendes apresentou nesta quinta-feira, ao presidente do STF, Edson Fachin, uma proposta para proibir delegados da PF de atuar nos gabinetes dos ministros como servidores cedidos.
Atualmente, dois delegados da PF assessoram o ministro André Mendonça, relator de casos como as investigações sobre o Banco Master, as fraudes no INSS e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O ministro Alexandre de Moraes também conta com dois delegados da PF em seu gabinete.
A possível retirada dos delegados dos gabinetes foi um dos motivos do embate entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
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