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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Anvisa investiga suspeitas de doença ocular ligada a canetas emagrecedoras

Agência recebeu 13 notificações envolvendo medicamentos como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro

Victória Batalha


Desde 2018, o sistema de farmacovigilância da Anvisa reúne 24 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica | Foto: Divulgação/EMS

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. A doença é rara e pode provocar perda permanente da visão.

Os registros envolvem medicamentos como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, utilizados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. A Anvisa ressalta, porém, que a ocorrência da doença em pessoas que utilizavam esses medicamentos não comprova uma relação de causa e efeito. Todos os casos continuam sob investigação.

Anvisa acompanha notificações

A Noia afeta o nervo óptico, responsável por transmitir ao cérebro as informações captadas pelos olhos. A doença ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para pequenos vasos que irrigam o nervo, o que pode provocar a morte de parte das células nervosas. A alteração visual pode surgir de forma repentina e, em muitos casos, sem dor.

Segundo os registros de farmacovigilância da Anvisa, cinco notificações estão relacionadas ao Ozempic, três ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. A agência ressalta que uma mesma notificação pode envolver mais de um medicamento.

Desde 2018, o sistema de farmacovigilância da Anvisa reúne 24 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica relacionadas a diferentes classes de medicamentos. Os 13 registros envolvendo agonistas de GLP-1 fazem parte desse total.

Uma pesquisa publicada na revista JAMA Ophthalmology, que analisou mais de 1,6 mil prontuários, encontrou associação entre o uso de semaglutida e um risco de Noia entre quatro e sete vezes maior em comparação com outros medicamentos. Os pesquisadores, contudo, apontaram limitações no estudo que impedem concluir que a semaglutida tenha provocado os casos.

A agência orienta que pacientes procurem atendimento médico imediatamente diante de perda repentina da visão | Foto: Reprodução/Freepik

A possibilidade de ocorrência da Noia já consta nas bulas de medicamentos à base de semaglutida. Em junho de 2025, a Anvisa determinou a inclusão da neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica como reação adversa muito rara nas bulas de Ozempic, Rybelsus e Wegovy.

A agência orienta que pacientes procurem atendimento médico imediatamente diante de perda repentina da visão, visão turva ou piora rápida da capacidade visual. A Anvisa também reforça a necessidade de acompanhamento profissional durante o tratamento.

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