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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A briga dos sobrenomes na disputa pelo Senado da PB

Corrida entre Nabor Wanderley (Republicanos-PB), pai de Hugo Motta (Republicanos-PB), e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), irmão de Vital do Rêgo Filho, vira teste de poder dos comandos da Câmara e do Tribunal de Contas da União

Yasmin Alencar


O senador Veneziano Vital do Rêgo e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta | Foto: Reprodução/Senado/Câmara

A corrida ao Senado pela Paraíba virou um duelo com endereço em Brasília. De um lado, Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados. Do outro, Veneziano Vital do Rêgo (MDB), irmão de Vital do Rêgo Filho, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Os dois candidatos já andaram no mesmo grupo político e hoje trocam acusações públicas — e, na prática, cada voto no Estado pesa como um teste de força entre o comando da Câmara e o comando da Corte de Contas do país.

O currículo federal dos dois clãs ajuda a entender o tamanho da queda de braço. A trajetória política de Veneziano Vital do Rêgo começou em 2004, quando ele foi eleito prefeito de Campina Grande (PB). Dois anos depois, seu irmão Vital do Rêgo Filho foi eleito deputado federal. No mandato seguinte, Vital chegou ao Senado, onde ficou por quatro anos antes de se lançar candidato a governador em 2014, na tentativa de dar palanque à então presidente Dilma Rousseff (PT). Depois do impeachment de Dilma, Vital migrou para o TCU, ciente da dificuldade de se reeleger senador.

Já Motta ganhou projeção ao presidir a CPI da Petrobras na Câmara em 2015. Depois de oito meses e 132 depoimentos, o relatório aprovado não pediu o indiciamento de políticos suspeitos de propina, isentou Lula, Dilma e o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e descartou a tese de corrupção institucionalizada. À época, parlamentares acusaram a comissão de blindar o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Nabor Wanderley é pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, concorre ao Senado em 2026 I Foto: Reprodução/Instagram

Nos bastidores dessa disputa na Paraíba, quem opera com discrição é o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Aguinaldo é próximo de Motta, que ascendeu no Republicanos ao se aliar a Marcos Pereira para transformar a legenda em uma força do centrão, ao lado do PP. Tanto o PP quanto o Republicanos tiveram influência no governo Bolsonaro, apesar da falta de apoio explícito à reeleição do ex-presidente na Paraíba. Segundo apurou Oeste, Aguinaldo e Hugo costumam se reunir com prefeitos em um escritório em João Pessoa para negociar apoios e adesões. A irmã de Aguinaldo, a senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), é suplente de Nabor.

A mão do grupo na máquina federal também não é de agora. Em agosto de 2013, no governo Dilma, o paraibano Nelson Negreiros assumiu a Secretaria de Aeroportos da Secretaria de Aviação Civil, então sob o comando de Moreira Franco. À época, a indicação partiu do próprio Vital do Rêgo Filho. O episódio dá a dimensão da capilaridade que a família construiu em Brasília muito antes de a disputa deste ano chegar às ruas do Estado.

Apesar disso, no interior paraibano, quem larga na frente é Nabor. Os apoios dos prefeitos subiram a cada levantamento: em abril, o portal local Polêmica Paraíba contava 138 para Nabor e 116 para Veneziano; em julho, 158 a 117; em agosto, 162 a 118. Em setembro, o jornal Folha de S.Paulo divulgou que Nabor teria cerca de 180 dos 223 prefeitos do Estado, entre eles gestores de partidos adversários, e associou o avanço ao peso de Motta sobre emendas, obras e articulação política.
Veneziano Vital, Lula e Vital do Rêgo, presidente do TCU, durante um jantar | Foto: Reprodução/Redes sociais

Recentemente, Motta afirmou que Veneziano usaria a influência do irmão no TCU para pressionar prefeitos. “Veneziano usa a influência do irmão que é presidente do Tribunal de Contas para chantagear prefeitos, para coagir prefeitos, para obrigar a votar nele por medo”, disse Motta em uma TV local. “Então, ele vê a cada dia o seu mandato terminando e a perspectiva da não renovação do seu mandato.”

Como Oeste publicou na sexta-feira 25, a atuação do grupo de Vital do Rêgo Filho se estende a outros Estados. No Maranhão, o presidente do TCU articulou a construção de um aeroporto de R$ 53 milhões próximo a fazendas da família, e levantou questionamentos sobre o uso de recursos públicos para fins privados. Não é de hoje que o clã Vital do Rêgo usa sua influência para direcionar investimentos em redutos eleitorais estratégicos. Ainda em 2023, segundo o Jornal da Paraíba, Hugo Motta e Veneziano Vital do Rêgo atuavam juntos para viabilizar a reforma do Aeroporto Brigadeiro Firmino Ayres, em Patos, reduto da família Motta Wanderley. À época, a prefeitura assumiu a gestão do terminal por 35 anos, a partir de um acordo com o governo do Estado, com recursos de emendas de Vital do Rêgo Filho.

Agora, porém, os antigos aliados viraram adversários. Segundo apurou Oeste, faltando uma semana para o primeiro turno, Hugo Motta tem sinalizado a prefeitos que o apoiam e apoiam Veneziano no sertão da Paraíba que o emedebista seja desconvidado para comícios, sob pena de o presidente da Câmara não comparecer aos eventos.

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