Ministra vê grave descontextualização em peça que associa candidato do PL a crimes
Mateus Conte
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro são candidatos à Presidência da República | Foto: Montagem da Revista Oeste, a partir de imagens de Ricardo Stuckert e Jefferson Rudy/Agência Senado
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou neste domingo, 30, a suspensão de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). A ministra Estela Aranha concedeu uma liminar e proibiu Lula e a coligação Brasil Pronto Pra Mais de fazer nova divulgação da peça apontada como irregular.
A inserção, intitulada “Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro”, afirma que o candidato começou a carreira como “funcionário fantasma” e foi “denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha”.
A peça também menciona uma homenagem feita por Flávio ao policial militar Adriano da Nóbrega e, em outro trecho, diz que o candidato foi “flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do Banco Master”.
Ao analisar o pedido, Estela afirmou haver, nesta fase do processo, elementos suficientes para concluir que o conteúdo “extrapola os limites da crítica política”. Segundo a ministra, a propaganda associa o candidato a organizações criminosas “sem indicação de qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica que ampare as alegações”.
Ministra Estela Aranha durante Sessão Plenária do Tribunal Superior Eleitoral – 20/08/2026 | Foto: Antonio Augusto/TSETSE aponta descontextualização contra Flávio
A relatora destacou especialmente a afirmação de que Flávio estaria “denunciado por organização criminosa”. Conforme a decisão, houve de fato uma denúncia contra o candidato, mas ela acabou arquivada sem condenação.
“A propaganda, portanto, passa ao eleitor a falsa informação no sentido de que o candidato estaria presentemente denunciado por crimes gravíssimos, situação que não corresponde com a realidade e que caracteriza grave descontextualização”, escreveu Estela.
A ministra ressaltou, contudo, que a decisão não representa um julgamento definitivo sobre “a veracidade histórica de cada episódio mencionado pela propaganda”. Nesta etapa, o TSE analisa se existem elementos suficientes para justificar a suspensão enquanto o processo continua.
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