Ministro determinou que Polícia Civil compartilhe com PF apuração sobre contratos de Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme
Lucas Cheiddi
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta terça-feira, 25, que a Polícia Civil do Estado vai cumprir a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o repasse à Polícia Federal de provas de uma investigação sobre contratos ligados à empresária Karina Ferreira da Gama.
Karina, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de apurações depois da Operação Wi-Fi. A ação ocorreu em junho, para investigar fraude em contrato de R$ 108 milhões anuais firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi na cidade. Adversários de Tarcísio acusaram a Polícia Civil de supostamente adiar investigações que envolvem a empresária durante o período eleitoral.
Resposta de Tarcísio e defesa das instituições
Tarcísio afirmou que, “obviamente, se tem uma decisão judicial, a decisão vai ser cumprida”. “As investigações seguem um ritmo estabelecido na lei”, disse. “Temos profissionais à frente das investigações. À medida que as decisões judiciais forem aparecendo, elas vão sendo cumpridas.”
O governador também criticou suspeitas de interferência política e disse que sugerir atrasos motivados por interesses eleitorais representa “um desrespeito”.
“A Polícia Militar é uma polícia profissional, a Polícia Civil é uma polícia profissional, e a gente tem que ter confiança nas instituições de Estado”, completou. “Então, quando uma declaração dessa natureza é feita, mostra que há, na verdade, desapreço, desrespeito. Então, há um desrespeito com as instituições policiais.”
Decisão do STF e investigações
A decisão de Dino exige que, em até cinco dias, a Polícia Federal receba documentos, extrações de celulares e materiais recolhidos na operação, incluindo notas fiscais, contratos, além do celular e do computador pessoal de Karina. A Polícia Civil ainda solicitou a quebra dos sigilos fiscais dela, de suas empresas e institutos controlados.
O pedido de compartilhamento de provas ocorreu por parte da Polícia Federal, no âmbito de inquérito do STF que investiga se emendas parlamentares financiaram o filme Dark Horse. Entre os itens sob análise estão registros financeiros, comprovantes de pagamentos, computadores e documentos contábeis apreendidos durante a investigação.
Flávio Dino considerou justificável o pedido da PF ao autorizar o envio dos dados. O inquérito começou depois de apuração da Controladoria-Geral da União, a pedido do ministro, sobre emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura por parte dos deputados Mário Frias (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF). Segundo as investigações, essas entidades estariam ligadas a um grupo coordenado por Karina.
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília | Foto: Wallace Martins/STF
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