Presidente da estatal, Magda Chambriard afirma que há petróleo em Morpho, mas volume da reserva ainda não foi calculado
Redação Oeste
A Petrobras gasta cerca de US$ 1 milhão por dia na perfuração do Poço de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. O local fica na Margem Equatorial brasileira, próxima à costa do Amapá. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, o investimento já chega a US$ 300 milhões, mais de R$ 1,5 bilhão na cotação atual.
A executiva afirmou nesta segunda-feira, 17, que a empresa está “extremamente otimista” com a descoberta de petróleo na região. A declaração ocorreu durante entrevista coletiva em Oiapoque, no Amapá.
“Nós temos sequência de estudos até declarar descoberta comercial”, disse Magda. “Mas temos certeza de que podemos ser otimistas.”
A diretora de exploração e produção da Petrobras, Sylvia Anjos, informou que faltam cerca de mil metros para a sonda atingir o fundo do poço. A expectativa é concluir a perfuração em cerca de 15 dias.
Depois disso, a Petrobras deverá delimitar a descoberta. O objetivo será calcular a extensão do reservatório. A companhia também aguarda licenças para perfurar mais três poços no mesmo bloco. Outras cinco áreas estão previstas para receber novas perfurações.
Petrobras busca mais reservas
Magda acompanhou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao navio-sonda ODN II. A embarcação foi responsável pela descoberta anunciada na sexta-feira 14.
A presidente da Petrobras afirmou que o achado é relevante para a manutenção da produção brasileira de petróleo. Segundo ela, cerca de 80% da produção nacional da estatal vem atualmente do pré-sal.
A expectativa é que a parte do pré-sal atinja o pico de produção por volta de 2034 ou 2035. A partir daí, segundo Magda, a empresa precisará repor reservas para evitar queda na produção.
“Se não agirmos, seremos importadores de petróleo como no passado”, disse a executiva. “Não tem futuro para uma empresa de petróleo sem exploração.”
Dados de Morpho orientarão próximas perfurações
Sylvia Anjos afirmou que as informações obtidas em Morpho ajudarão a Petrobras a definir a localização dos próximos três poços. A executiva também disse que ainda são necessários testes para determinar a qualidade do petróleo na região. “Numa análise rápida, o óleo apresenta características interessantes e parece muito bom”, declarou.
O material será enviado ao Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro. O transporte deve levar cerca de quatro dias. Depois disso, técnicos da estatal farão uma análise detalhada.
Petrobras aguarda licenças do Ibama
A Petrobras espera autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar outros três poços no mesmo bloco.
A diretora de assuntos corporativos da estatal, Clarice Coppetti, afirmou que a empresa respondeu a pedidos de complementação feitos pelo órgão ambiental. O último parecer técnico foi recebido em 10 de agosto.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ao lado de Lula, depois de tomar posse no comando da estatal – 19/6/2024 | Foto: Reprodução/Twitter/X“Estamos trabalhando em cima dele”, afirmou Clarice. “Protocolamos na sexta-feira.”
Segundo ela, o processo mantém diálogo com o Ibama. A Casa Civil também acompanha o assunto porque os projetos de exploração na região fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento.
“Temos 32 blocos na Margem Equatorial e este é apenas o início”, disse Sylvia. “É emocionante participar desta descoberta, que esperamos ser a primeira de muitas.”
Magda destaca estrutura ambiental
Magda afirmou que a exploração na Margem Equatorial busca repor as reservas de petróleo do país. Segundo ela, esse processo não ocorre “a qualquer custo”.
“Na fase exploratória operada pela Petrobras nunca tivemos um acidente”, afirmou a presidente da companhia. “Nem no pré-sal, no pós-sal ou em terra.”
Magda disse ainda que o projeto conta com um amplo plano de emergência para operações em águas profundas. A estrutura inclui centros de apoio à fauna em Oiapoque e Belém. As unidades contam com biólogos e protocolos para resgate e atendimento de animais.
Mapa sinaliza o local da descoberta em águas profundas do Amapá | Foto: Divulgação/Petrobras
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