Unidade da Isover, em São Paulo, deixa de fabricar lã de vidro
Por Iarla Queiroz

Fábrica da Isover em São Paulo - Foto: Divulgação
Uma multinacional que emprega mais de 12 mil pessoas no Brasil encerrou as atividades industriais de uma fábrica que funcionava no país há cerca de 75 anos. A unidade, localizada em Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo, deixou de produzir lã de vidro e será transformada em um centro de distribuição.
A fábrica pertence à Isover, marca do Grupo Saint-Gobain, e iniciou a produção no Brasil em 1951. Durante décadas, a unidade fabricou materiais utilizados no isolamento térmico e acústico de casas, edifícios, veículos e instalações industriais.
O encerramento da produção também impacta trabalhadores e empresas que dependiam da atividade da fábrica, como transportadoras, fornecedores, equipes de manutenção e outros prestadores de serviços.
Fábrica deixa de produzir após mais de sete décadas
A produção de lã de vidro na unidade já foi encerrada. A decisão está relacionada a um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
O Termo de Ajustamento de Conduta determinou que a fabricação deveria ser encerrada até 4 de julho de 2026. Já o desligamento definitivo do forno de fusão de vidro ocorreu em 31 de julho.
O equipamento era responsável por derreter o vidro antes das etapas de formação das fibras, tratamento e acabamento da lã de vidro. Com o desligamento, chega ao fim o processo industrial realizado no endereço desde 1951.
A desmobilização da fábrica ainda deve continuar nos próximos anos. O acordo prevê a desmontagem dos equipamentos, a retirada dos resíduos industriais e a realização de estudos para verificar as condições ambientais do terreno.
Unidade será transformada em centro de distribuição
Apesar do fim da produção, a Saint-Gobain não deixará o imóvel. A antiga fábrica será utilizada como centro de distribuição, mantendo o endereço ligado às operações da empresa.
Com a mudança, o espaço continuará recebendo e armazenando produtos para posterior distribuição aos clientes. A diferença é que não haverá mais fabricação de lã de vidro no local.
A Isover também seguirá atendendo o mercado brasileiro, enquanto as demais marcas e unidades do Grupo Saint-Gobain continuam funcionando no país.
A companhia, portanto, não está deixando o Brasil. A decisão envolve especificamente o encerramento da produção industrial da fábrica de Santo Amaro.
Fechamento afeta cerca de 150 trabalhadores
O fim das atividades industriais deve atingir aproximadamente 100 funcionários diretos da unidade. Além deles, cerca de 50 trabalhadores indiretos estavam ligados à operação.
O impacto pode chegar, dessa forma, a aproximadamente 150 postos de trabalho.
A mudança também afeta empresas terceirizadas e prestadores de serviços que atuavam em atividades relacionadas à fábrica. Transportadoras, fornecedores, equipes de manutenção, limpeza e segurança estão entre os setores que tinham ligação com a operação industrial.
Segundo a multinacional, o processo de encerramento seria conduzido de forma gradual, com o objetivo de reduzir os impactos sociais provocados pela mudança.
Reclamações de moradores chegaram ao Ministério Público
O fechamento da fábrica ocorreu após anos de reclamações de moradores das regiões próximas à unidade.
Entre as queixas estavam relatos de fumaça, cheiro forte e barulho provocados pelos equipamentos. Segundo os moradores, os incômodos também eram registrados durante a noite e na madrugada.
As denúncias resultaram na abertura de uma investigação pelo Ministério Público. Paralelamente, a Cetesb ampliou as fiscalizações sobre as atividades realizadas na unidade.
Entre 2023 e 2025, a empresa recebeu autos de infração relacionados principalmente à emissão de odores percebidos fora dos limites da propriedade e ao descumprimento de determinações anteriores.
O cenário também foi influenciado pelo crescimento urbano da região. A fábrica permaneceu no mesmo endereço enquanto casas e condomínios residenciais avançaram para áreas próximas à indústria.
Com isso, os conflitos entre moradores e a operação industrial aumentaram e chegaram a audiências públicas, reuniões com autoridades e mobilizações da comunidade.
Empresa terá que cumprir medidas ambientais
O encerramento da produção não encerra as obrigações ambientais relacionadas ao imóvel. A Saint-Gobain terá que cumprir uma série de medidas previstas no acordo firmado com as autoridades.
Entre as exigências está a investigação de possíveis áreas contaminadas dentro do terreno. Caso sejam identificados problemas, a empresa deverá adotar medidas para recuperação do solo.
Também está prevista a desmontagem dos equipamentos industriais e a destinação adequada dos resíduos acumulados na unidade.
Durante o processo, a companhia deverá manter os sistemas de controle ambiental e apresentar relatórios ao Ministério Público e à Cetesb.
O acordo ainda estabelece multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento das obrigações, com correção monetária conforme as regras previstas no documento.
Isover afirma que seguia normas ambientais
A Isover afirmou que sempre atuou de acordo com a legislação brasileira e com critérios nacionais e internacionais de segurança e sustentabilidade.
De acordo com a empresa, a unidade recebeu mais de 60 ações de melhoria ambiental, incluindo investimentos em isolamento acústico e tecnologias voltadas à redução de emissões.
A companhia também informou que suspendeu parte das atividades aos finais de semana, encerrou os descarregamentos realizados durante a noite e criou canais de comunicação com os moradores da região.
As emissões da fábrica, segundo a multinacional, eram acompanhadas por empresas especializadas e fiscalizadas pelos órgãos ambientais. A Isover também sustenta que a operação não representava riscos à saúde dos trabalhadores.
Agora, o processo será acompanhado pelas autoridades, que deverão fiscalizar o desligamento do forno, a retirada dos equipamentos e o cumprimento das medidas ambientais previstas no acordo.
Com isso, a fábrica da Isover encerra uma trajetória industrial iniciada em 1951. O endereço continuará sendo utilizado pela empresa, mas apenas para atividades de distribuição, enquanto o Grupo Saint-Gobain mantém suas demais operações no Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por seu comentário.