Imagens da Secretaria de Segurança Pública contradizem relato do homem de que teria deixado o veículo durante a ação
Lucas Cheiddi
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Depois de prestar novo depoimento à Polícia Civil na segunda-feira 17, o motorista que trabalha para Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, apresentou versões diferentes sobre a abordagem da Polícia Militar (PM) ocorrida na noite de terça-feira 11.
Inicialmente, em conversas por WhatsApp com um advogado durante a suposta abordagem, o motorista afirmou ter sido seguido por viaturas e mencionou que pretendia questionar os policiais sobre a razão da perseguição. A troca de mensagens foi revelada pelo portal Metrópoles.
Na ocasião, o motorista relatou a pessoas próximas que teria descido do carro e ouvido ordens para se afastar. No entanto, imagens divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública, na sexta-feira 14, não mostram o motorista deixando o veículo durante a abordagem.
No depoimento à polícia, ele negou ter saído do carro. O depoimento ocorreu na 2ª Delegacia Seccional da zona sul de São Paulo, e ele estava acompanhado por seu advogado.
Integrantes da campanha de Haddad informaram que, no momento em que o motorista escreveu “vou até eles perguntar o que está pegando”, ele hesitou e permaneceu dentro do veículo.
Apesar disso, o motorista mantém a versão de que três policiais desceram da viatura e o intimidaram, o que difere do relato oficial apresentado pelo governo estadual. A gravação divulgada pela SSP não permite confirmar essa alegação, pois a câmera cobre apenas até o veículo de Haddad e não mostra o local exato do suposto contato.
Detalhes da abordagem ao motorista de Haddad
Alessandro Caseri, motorista de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo | Foto: Reprodução/X
O episódio teve início depois de Haddad relatar, na quarta-feira 12, ter sido deixado em casa pelo motorista quando uma viatura da PM iluminou o carro com luzes fortes. O ex-ministro do governo Lula explicou que retornava de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP e, ao chegar em sua residência, saiu do carro e entrou em casa, enquanto o motorista partiu em seguida.
Mais adiante, segundo o próprio motorista, ele continuou sendo seguido pela viatura e estacionou em frente a um hotel. Haddad relatou aos jornalistas que os policiais portavam fuzis e teriam orientado o motorista a ir embora depois do questionamento.
De acordo com o advogado Hélio Silveira, o motorista relatou à defesa que a abordagem durou cerca de 40 minutos. Para Haddad, “o carro foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de uma forma um pouco ostensiva e intimidadora”. “Quero crer que possa ter havido alguma confusão”, afirmou Fernando Haddad.

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