Novo valor representa alta de 7,4% sobre o piso atual e será enviado ao Congresso
Fábio Bouéri
O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O governo federal propôs elevar o salário mínimo para R$ 1.741 em 2027, segundo anunciou nesta segunda-feira, 24, o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O novo valor constará do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto.
O valor representa aumento de R$ 120, ou 7,4%, em relação ao salário mínimo atual, de R$ 1.621. A nova estimativa também é R$ 24 superior à previsão anterior do governo, de R$ 1.717, apresentada em abril.
Governo e o cálculo do reajuste
O cálculo considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2027, entra na conta o crescimento de 2,3% registrado pela economia brasileira em 2025.
A projeção de inflação utilizada pelo governo é de 4,93%. A estimativa foi revisada para cima diante da possibilidade de impactos do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos.
A política de valorização do salário mínimo também está limitada pelas regras do arcabouço fiscal. O ganho real do piso não pode superar o limite de 2,5% estabelecido para o crescimento das despesas acima da inflação.
O reajuste terá efeito direto sobre despesas vinculadas ao salário mínimo, como aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Segundo estimativas do governo, cada R$ 1 de aumento no piso provoca aproximadamente R$ 413,2 milhões em despesas adicionais. A revisão de R$ 1.717 para R$ 1.741, portanto, representa uma pressão adicional de cerca de R$ 9,9 bilhões sobre o Orçamento de 2027.
Durigan afirmou que o reajuste também será aplicado aos benefícios sociais vinculados ao salário mínimo. O valor de R$ 1.741, porém, ainda é uma previsão orçamentária e poderá ser alterado até a definição final do piso para 2027.
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