Assessor do petista, dispensado recentemente, diz que valores pagos por Roberta Luchsinger se referem a um empréstimo pessoal já quitado
Isabela Jordão

Informações preliminares revelam que os pagamentos poderiam somar cerca de R$ 80 mil | Foto: Reprodução/X
O ex-chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu dezenas de milhares de reais da empresária e lobista Roberta Luchsinger, personagem citada nas investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e amiga de Lulinha, filho do presidente.
A existência das transferências foi confirmada por quatro pessoas familiarizadas com o caso ao portal Poder360. Já os valores exatos, a frequência dos repasses e outros detalhes permanecem sob análise da Polícia Federal (PF).
Marcola ocupou a chefia de gabinete da Presidência de janeiro de 2023 até 21 de julho deste ano, quando foi dispensado por Lula. Segundo informações que circulam nos bastidores de Brasília, o assunto ganhou força pouco depois de sua saída do Palácio do Planalto e passou a ser debatido entre integrantes da cúpula do PT durante a convenção que oficializou a candidatura de Lula à reeleição, no último sábado, 1º.
Exoneração de Marcola | Foto: Reprodução/Diário Oficial da UniãoOs dados completos das movimentações financeiras ainda não são públicos. Informações preliminares revelam que os pagamentos poderiam somar cerca de R$ 80 mil, embora esse montante não tenha sido confirmado.
Marcola era considerado um dos auxiliares mais próximos do presidente. Cabia a ele organizar a agenda oficial de Lula e administrar um dos telefones utilizados para receber ligações destinadas ao chefe do Executivo.
Relação de amiga de Lulinha com investigação do INSS
Roberta Luchsinger é investigada no inquérito que apura fraudes bilionárias na Previdência Social. Ela prestou serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso desde 12 de setembro de 2025.
À esquerda, Lulinha, filho de Luiz Inácio Lula da Silva; à direita, o lobista conhecido como Careca do INSS | Fotos: Reprodução/Internet e Agência SenadoNo início das investigações, em abril do ano passado, Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, chegaram a ser mencionados como possíveis participantes do esquema. Ambos negaram qualquer envolvimento.
Lulinha é alvo de três inquéritos. Em um deles, conduzido pela PF, é investigado por suspeita de tráfico de influência. Reportagem publicada em dezembro de 2025 informou que ele também é suspeito de receber uma mesada de R$ 300 mil paga pelo Careca do INSS.
Em entrevista concedida em maio deste ano, Roberta afirmou ter apresentado Lulinha ao empresário investigado, mas negou qualquer intermediação comercial. “Jamais apresentei os dois com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”, declarou.]]
Marcola foi chefe de gabinete de Lula até 21 de julho de 2026 | Foto: Reprodução
Marcola foi chefe de gabinete de Lula até 21 de julho de 2026 | Foto: ReproduçãoA PF também identificou ao menos seis viagens realizadas por Roberta e Lulinha com reservas emitidas sob o mesmo código localizador. Os registros incluem uma viagem a Portugal, em junho de 2024, além de cinco deslocamentos nacionais entre abril e junho de 2025. Para os investigadores, esses elementos reforçam a proximidade entre ambos.
Segundo informações da investigação, aparelhos celulares apreendidos na Operação Sem Desconto contêm mensagens que ainda deverão ser esclarecidas por Roberta e Lulinha. Em conversas obtidas pelos investigadores, os dois demonstram familiaridade ao tratar de negócios ligados ao INSS e a outras empresas.
Em uma das trocas de mensagens, Roberta pergunta se deveria prosseguir com determinada operação. Lulinha responde: “Pode fechar”. Há, segundo as investigações, indícios de possíveis irregularidades que envolvem os Correios e a Dataprev.
Outras mensagens analisadas pela PF mostram discussões sobre locais considerados mais seguros para manter recursos financeiros fora do alcance da Receita Federal. Luxemburgo chegou a ser citado como alternativa, descrito por Roberta como um destino seguro para esse fim.

O filho de Lula, Lulinha, e a amiga Roberta Luchsinger | Foto: Reprodução/Redes sociais
Por meio de seu advogado, Roberto Podval, Roberta disse que só vai se manifestar nos autos do processo. “Em respeito ao próprio ministro André Mendonça, responderemos a todas as questões nos autos do inquérito, que, até o momento, ainda não tivemos acesso”, declarou ao Poder360.
Marcola confirmou a existência das transferências, mas negou qualquer irregularidade. Segundo ele, os pagamentos correspondiam a um empréstimo pessoal, cujo valor integral já foi quitado.
“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou o ex-chefe de gabinete ao portal.
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