Assessor de Lula recebeu minuta de contrato que previa fornecimento, sem licitação, de medicamentos à base de canabidiol
Fábio Bouéri
A Polícia Federal investiga uma minuta de contrato de até R$ 626 milhões para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
O documento foi enviado pela empresária e lobista Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
Saúde: Marcola confirma recebimento de proposta
A proposta previa o fornecimento de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de medicamentos. Segundo as investigações, a contratação poderia ocorrer sem licitação. O negócio, porém, não chegou a ser concretizado.
Marcola confirmou aos investigadores que recebeu o documento, mas afirmou ter considerado o envio inadequado. Ele também negou ter encaminhado a proposta a integrantes do Ministério da Saúde ou ter atuado para favorecer a negociação.
Roberta é apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e aparece nas investigações como uma das pessoas que tentavam viabilizar negócios relacionados à cannabis medicinal junto ao governo federal.
A empresária teria sido contratada pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para atuar na negociação. Mensagens e outros materiais apreendidos pela PF são analisados para identificar a eventual participação de Lulinha e de outros envolvidos.
O Ministério da Saúde afirma que nunca firmou contrato com a empresa envolvida e que o produto discutido não foi incorporado ao SUS. As defesas dos investigados negam irregularidades e questionam a divulgação de informações do inquérito.
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