RADIO WEB JUAZEIRO : 'Alexandre de Moraes não tem limites', diz Glenn Greenwald



quarta-feira, 19 de agosto de 2026

'Alexandre de Moraes não tem limites', diz Glenn Greenwald

Jornalista critica atuação do STF e relata pressões depois de publicar reportagens sobre o ministro

Mateus Conte

Glenn Greenwald concede entrevista a Augusto Nunes | Foto: Revista Oeste

O jornalista Glenn Greenwald afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atua sem limites e representa a principal ameaça à democracia brasileira. Durante entrevista ao Conversa com Augusto Nunes desta terça-feira, 18, ele criticou a proximidade entre integrantes da Corte e políticos e relatou pressões depois da publicação de reportagens sobre Moraes.

Greenwald abordou o assunto ao falar dos riscos que enfrentou ao longo da carreira. Segundo ele, nunca havia considerado deixar de fazer uma reportagem por medo das consequências. Isso mudou quando recebeu, em 2024, um arquivo com material proveniente do gabinete de Moraes.

Ele destaca que esta foi “a única vez que realmente teve um debate interno”, sobre publicar ou não o material, “porque Alexandre de Moraes não tem limites e a sociedade ou não consegue, ou não quer, impor limites sobre o abuso do poder dele”.

O material foi apurado em parceria com a Folha de S.Paulo e resultou na série de reportagens “Vaza Toga“, sobre os bastidores do gabinete do ministro. Entre as revelações citadas pelo apresentador estava a inclusão de Oeste entre os veículos examinados por auxiliares de Moraes.


Na ocasião o juiz instrutor Airton Vieira orientou o servidor Eduardo Tagliaferro a usar a “criatividade” para encontrar algo que parecesse criminoso e pudesse levar ao fechamento da revista. Depois das primeiras reportagens, foi aberto um inquérito que incluía o próprio jornalista, um repórter que trabalhava com ele e a Folha.

Ele também relatou que começaram a circular em sites ligados ao PT informações sobre uma possível reação mais dura de Moraes contra os responsáveis pelas publicações. Greenwald enxerga a iniciativa como uma tentativa de intimidação. “Também temos armas”, afirmou, ao reproduzir a mensagem que, em sua avaliação, a medida pretendia transmitir.

As pressões não interromperam o trabalho. Greenwald afirmou que a Folha nunca se recusou a publicar um conteúdo do arquivo que ele considerasse de interesse público. “Se fizesse isso, eu denunciaria na hora”, disse. De acordo com ele, a série terminou depois que os jornalistas publicaram todas as informações do arquivo que consideraram relevantes para o público.

Greenwald critica relação entre STF e política

Greenwald criticou ainda a participação de ministros do STF na vida política e afirmou que magistrados precisam manter distância desse ambiente. Para ele, “quando um juiz se torna um ator político, o sistema jurídico está totalmente corrompido”.

O jornalista recorda que integrantes da Suprema Corte dos EUA evitam esse tipo de exposição e de proximidade pública com autoridades políticas. Greenwald citou a participação de Moraes em eventos ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como exemplo.
Alexandre de Moraes discursou durante evento organizado pelo governo Lula para lembrar os atos de 8 de janeiro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ele responsabilizou a Rede Globo e o que chamou de “establishment do Brasil” pela ampliação dos poderes exercidos pelo STF durante o governo de Jair Bolsonaro. Segundo ele, esses grupos estavam “morrendo de medo do Bolsonaro” e aceitaram medidas contra o então presidente e seus aliados. “Tudo é justificado para destruir o Bolsonaro e o movimento dele”, afirmou.

O jornalista destacou que a Globo passou posteriormente a criticar Moraes, mas considera a mudança tardia. “Agora a Globo está indo em cima da cabeça do Moraes, mas é tarde demais”, afirmou. Para ele, o erro foi supor que os poderes concedidos ao STF seriam reduzidos depois que o contexto político mudasse, pois autoridades não costumam abrir mão voluntariamente dos poderes que recebem.

Jornalista defende impeachment de Moraes

Ao ser perguntado sobre qual problema do Brasil resolveria caso tivesse plenos poderes, Greenwald respondeu que promoveria o impeachment de Moraes. Ele também citou Gilmar Mendes, a quem chamou de “o grande chefe de tudo”, mas apontou Moraes como sua principal preocupação: “Ele é o perigo mais grave que a democracia brasileira enfrenta”, afirmou.

No entanto, Greenwald questionou a possibilidade de um impeachment de um ministro da Suprema Corte. Durante a entrevista, ele atribuiu a Moraes a interpretação de que um processo contra integrante do STF dependeria de pedido do procurador-geral da República. Para o jornalista, impedir mecanismos capazes de limitar autoridades caracteriza “tirania”.

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