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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Reino Unido amplia gasto militar desde Guerra Fria

Plano de R$ 102 bilhões reforça as Forças Armadas britânicas, mas especialistas avaliam que o investimento ainda não atende às metas da Otan

Pâmela Zacarias

O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou o maior aumento dos gastos militares britânicos desde a Guerra Fria | Foto: Reprodução/ Reddit

O Reino Unido anunciou nesta terça-feira, 30, o maior aumento dos gastos militares desde o fim da Guerra Fria. O governo destinará £ 15 bilhões, equivalente a cerca de R$ 102 bilhões, adicionais às Forças Armadas nos próximos quatro anos. O plano amplia os investimentos em tecnologia militar, drones, inteligência artificial e armamentos de longo alcance.

O primeiro-ministro Keir Starmer apresentou a iniciativa como uma resposta ao aumento das ameaças à segurança na Europa. O governo cita a guerra entre Rússia e Ucrânia e o novo cenário geopolítico como fatores que exigem uma modernização das capacidades militares britânicas.

O plano elevará o orçamento anual de defesa para cerca de £ 80 bilhões até 2029. Mesmo assim, o investimento representará 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, abaixo da meta de 3,5% estabelecida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para os países-membros até 2035.

Reino Unido amplia capacidade militar

O programa concentra recursos em áreas consideradas estratégicas para os conflitos atuais. O governo investirá cerca de £ 5 bilhões, aproximadamente R$ 34,25 bilhões, em drones, veículos autônomos e sistemas de inteligência artificial aplicados à defesa. Também destinará recursos para mísseis de longo alcance, produção de munições e modernização das bases militares.

Outra prioridade será o programa nuclear britânico. O governo pretende investir aproximadamente £ 63 bilhões, aproximadamente R$ 430 bilhões, em submarinos, ogivas e infraestrutura ligada à dissuasão nuclear. O plano também prevê a compra de caças Lockheed Martin F-35 Lightning II com capacidade para transportar armamentos nucleares táticos.

Segundo o governo, a estratégia também fortalecerá a indústria de defesa e deverá criar cerca de 60 mil empregos em todo o país.

Plano ainda gera críticas

Especialistas e integrantes da oposição afirmam que o investimento representa um avanço, mas não elimina as deficiências das Forças Armadas britânicas. Eles avaliam que o financiamento ainda não acompanha o ritmo das mudanças no cenário internacional nem atende integralmente aos compromissos assumidos pelo país na Otan.

O governo também confirmou que parte dos recursos virá do remanejamento de verbas originalmente destinadas a infraestrutura, energia e transporte. Para Starmer, a mudança representa uma escolha necessária diante do aumento das ameaças à segurança europeia.

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