RADIO WEB JUAZEIRO : Oposição quer ouvir Mauro Vieira antes do recesso do Congresso



quinta-feira, 9 de julho de 2026

Oposição quer ouvir Mauro Vieira antes do recesso do Congresso

Parlamentares articulam audiências para que chanceler explique documento sobre possível ação militar dos EUA

Letícia Alves

Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Parlamentares da oposição articulam audiências com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, antes do recesso legislativo de 18 de julho. O objetivo é ouvi-lo nas Comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado. Os colegiados ainda não definiram as datas.

A comissão do Senado aprovou, na terça-feira 8, um convite para o ministro esclarecer um documento enviado à Câmara. No ofício, Vieira menciona a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos contra o Brasil depois de o governo de Donald Trump classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. O convite não obriga o comparecimento.

Nesta quarta-feira, 9, a comissão da Câmara aprovou a convocação do ministro pelo mesmo tema. A convocação torna a presença do chanceler obrigatória.

A oposição tenta agendar a presença de Mauro Vieira para a próxima semana. Integrantes do grupo admitem, contudo, que a audiência pode ficar para agosto, por conflitos de agenda. A definição depende dos presidentes dos colegiados: o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).

O que a oposição espera de Mauro Vieira

Os pedidos do Congresso surgiram depois de Vieira enviar um ofício ao deputado Evair de Melo (PP-ES) com o alerta de riscos militares. No texto, o Itamaraty afirma que a medida “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”, pois o enquadramento atual como “organizações criminosas transnacionais” já permite a troca de informações.

O Departamento de Estado dos EUA chamou a hipótese de ação militar de “absurda”. O órgão declarou que as facções atuam em território norte-americano e que os EUA devem defender sua população. “Alegações vagas de intervenção servem, muitas vezes, de pretexto para auxiliar e acobertar alguns dos grupos mais violentos do mundo”, disse o órgão.

A oposição quer questionar a posição do governo brasileiro sobre a decisão dos EUA. Para os parlamentares, a hipótese de invasão norte-americana não tem justificativa e prejudica a relação com a Casa Branca.

A classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) vigora desde 5 de junho. O processo iniciou-se em 28 de maio, quando o Departamento de Estado norte-americano enquadrou as facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT).

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