Promotores deflagraram operação para apurar fraude e pagamento de propina em contrato bilionário
Erich Mafra

Ministério Público de São Paulo | Foto: Reprodução/ Redes sociais
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público de São Paulo (MPSP), apreendeu cerca de R$ 100 mil em espécie na casa de um ex-servidor municipal nesta terça-feira, 7. A dinheirama estava escondida no imóvel do investigado durante a deflagração da Operação Ar Frio. Os agentes cumprem mandados de busca na capital e na região metropolitana contra dois ex-funcionários suspeitos de desviar recursos públicos.
A investigação começou depois de uma denúncia anônima chegar aos promotores em fevereiro deste ano. O foco principal da apuração mira um contrato de R$ 1 bilhão para a compra de aparelhos de ar-condicionado. A prefeitura chegou a travar a concorrência pública devido às suspeitas de corrupção, mas retomou o processo de compra logo que o prefeito exonerou os dois servidores de seus cargos, em março.
Investigados ocultavam patrimônio com uso de laranjas
Os promotores identificaram uma evolução patrimonial suspeita e totalmente incompatível com os salários que os funcionários recebiam na administração municipal. Os alvos compravam imóveis de luxo, carros e outros bens valiosos no nome de terceiros para despistar a fiscalização financeira. O Gaeco apura os crimes de corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro com fraudes cometidas entre 2022 e 2025.
Os investigados controlavam setores-chave da máquina pública paulistana antes da demissão. Um dos alvos trabalhava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, enquanto o segundo comandava a coordenação de licitações da Secretaria Municipal das Subprefeituras. A dupla usava os cargos de chefia para desenhar editais sob medida e direcionar os contratos milionários para empresas e consórcios parceiros.
Ministério Público poupa prédios oficiais de buscas
Os policiais e promotores recolheram os telefones celulares dos investigados e fardos de documentos nos endereços residenciais e comerciais dos suspeitos. O Poder Judiciário não expediu mandados de busca contra as sedes das secretarias ou contra o prédio da prefeitura. Os agentes concentraram a varredura estritamente nos endereços privados dos ex-servidores para colher novas provas.
A equipe técnica do Ministério Público vai periciar os arquivos dos celulares apreendidos para mapear a rota da propina. Os promotores querem descobrir se empresários do setor de refrigeração pagavam mesadas para os antigos coordenadores. A Justiça estadual analisa novos pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos no esquema para rastrear os valores desviados.
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