Líderes de Brasil e China conversaram por telefone na noite deste domingo, 26, por cerca de 1 hora
Lucas Cheiddi
O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente do Brasil, Lula, durante encontro em Brasília em 20 de novembro de 2024 | Foto: Reuters/Adriano Machado/File Photo
Em uma ligação realizada na noite deste domingo, 26, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dialogou com o secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, por mais de uma hora. O contato teve como foco central o fortalecimento de projetos nacionais de desenvolvimento e a intensificação da cooperação em setores estratégicos, incluindo inteligência artificial, satélites, minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Durante o telefonema, ambos destacaram a intenção mútua de acelerar as negociações para um acordo entre o Mercosul e a China. Lula enfatizou o compromisso do governo brasileiro com a ampliação e diversificação dos mercados internacionais.
Eles também ressaltaram os resultados das trocas comerciais bilaterais e dos esforços culturais realizados ao longo deste ano nos dois países.
Lula e Xi Jinping: facilitação de vistos e apoio político
O comunicado oficial mencionou que o acordo para isenção de vistos de curta duração deve favorecer o turismo e aumentar as oportunidades de negócios entre as nações. A agência estatal chinesa Xinhua informou que Xi Jinping reafirmou o apoio da China ao Brasil na “rejeição da interferência externa” e manifestou disposição para fortalecer a coordenação em fóruns bilaterais e multilaterais.
A conversa entre os líderes ocorreu poucos dias depois da entrada em vigor de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, estabelecidas na quarta-feira 22. A tarifa de 25% é resultado de uma investigação iniciada depois de o presidente americano Donald Trump anunciar, em julho de 2025, um aumento anterior de 50% nas taxas para o Brasil.
Em relação aos conflitos no Oriente Médio, Lula e Xi ressaltaram os impactos negativos das restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb sobre a economia global, além de expressar preocupação com a situação em Gaza. Eles também defenderam o papel do Grupo de Amigos da Paz na busca por soluções para a Guerra na Ucrânia.
Eles criticaram a atuação do Conselho de Segurança da ONU diante das atuais crises e avaliaram que o futuro Secretário-Geral da entidade enfrentará desafios significativos no cenário internacional. Por fim, ambos reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e reiteraram que manterão diálogo próximo em organismos como a ONU e os Brics.
Bandeiras do Brasil e da China | Foto: Agência Brasil/Beto Barata/PR
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