Primeira-dama passou mais de 180 dias fora do Brasil desde o início do governo Lula, cerca de 20 a mais que o presidente
Isabela Jordão

Lula e a primeira-dama Janja em viagem internacional | Foto: Ricardo Stuckert/ PR
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou nesta segunda-feira, 13, que as críticas dirigidas às suas viagens internacionais e aos gastos relacionados a esses deslocamentos decorrem de “misoginia pura”. A declaração foi dada em entrevista ao podcast Frente a Frente, do jornal Folha de S.Paulo e do portal Uol.
Segundo levantamento do Poder360, Janja acumulou 182 dias fora do Brasil desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva até maio, 24 dias a mais que o presidente, que permaneceu 158 dias no exterior no mesmo período.
Os dados mostram que Lula realizou 45 viagens internacionais desde janeiro de 2023, enquanto Janja ampliou sua participação em agendas oficiais no exterior. Somente neste ano, a primeira-dama participou de compromissos na Itália, França, Japão e Rússia. Lula permaneceu 20 dias fora do país em 2026.
Lula e Janja em viagem a Paris, ao lado do presidente francês e da primeira-dama | Foto: Ricardo Stuckert/PR“Nunca falamos sobre [ela e Lula] eu gastar demais, às vezes colocam todos os gastos da comitiva de uma viagem na minha conta”, declarou. “Não posso andar de econômica, tem que ser executiva, é questão de segurança.” Segundo ela, os protocolos da Polícia Federal exigem esse tipo de deslocamento.
A primeira-dama disse ainda que parte das críticas busca prejudicar Lula. Janja sustentou que exerce uma função institucional inédita para o cargo de primeira-dama. “Eu presto contas, tudo meu é público, quando viajo tem briefing“, afirmou.
Segundo ela, sua rotina inclui reuniões no Palácio do Planalto e viagens de trabalho ligadas a temas como combate à fome e à violência contra a mulher. “A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”, alegou. “Eu vou quase todos os dias para o Planalto, faço reunião, faço agenda, viajo a trabalho.”
Janja na Rússia (3/5/2025) | Foto: Reprodução redes sociaisEla acrescentou que o governo regulamentou internamente suas atribuições para ampliar a transparência. “A gente fez uma normativa há dois anos, regulamentou algumas questões internas com relação a isso para ficar muito mais transparente.”
Janja afirma ter sofrido assédio durante agendas oficiais
Durante a entrevista, Janja também voltou a dizer que foi vítima de assédio em agendas oficiais ao lado de Lula. Ela abordou o tema ao comentar o apoio à ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, que denunciou ter sido importunada sexualmente pelo então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, em 2024.
Lula, Janja e outros políticos presentes no funeral do papa Francisco | Foto: Divulgação/X/@ricardostuckert“Não preciso tomar uma decisão de que eu vou apoiar uma mulher que tá passando por isso. Eu simplesmente apoio”, afirmou. Sem detalhar os episódios, Janja criticou a cobrança feita às vítimas de assédio. “Os homens cobram demais a gente sobre isso. Por que você não falou? Porque é confortável para eles. A responsabilidade fica no colo de quem sofreu.”
A primeira-dama também pediu que a Câmara dos Deputados aprove o projeto de lei que criminaliza a “misoginia”. Segundo ela, o combate ao ódio contra as mulheres é uma pauta “apartidária” e não está vinculada a nenhuma religião.
As viagens internacionais de Janja são alvo de questionamentos de parlamentares da oposição. Em abril, o Tribunal de Contas da União arquivou, por unanimidade, os processos que analisavam despesas e deslocamentos da primeira-dama.
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