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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Governo Lula apresenta plano aos EUA para tentar evitar tarifaço

Documento prevê redução de tarifas de importação em cerca de 300 produtos

Mateus Conte

Trump e Lula se cumprimentam durante encontro nesta quinta-feira, 7, em Washington | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou aos Estados Unidos um plano de negociação para tentar evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros anunciada por Washington. A proposta foi discutida nesta quinta-feira, 2, durante reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

O documento, cujo conteúdo integral permanece sob sigilo, reúne medidas que, na avaliação do governo brasileiro, respondem aos questionamentos apresentados pelos EUA sem comprometer interesses considerados estratégicos para o país, conforme apuração do portal Poder360.

Entre as propostas está a possibilidade de reduzir tarifas de importação em cerca de 300 linhas de produtos, principalmente nos setores de máquinas, equipamentos, tecnologia da informação e equipamentos hospitalares. A redução seria aplicada a todos os parceiros comerciais, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio, e não apenas aos EUA.

Segundo o ministério, as equipes técnicas dos dois países voltarão a se reunir no começo da próxima semana. Um novo encontro de alto nível também está previsto antes de 15 de julho, data em que o governo norte-americano deve decidir se vai aplicar ou não as sanções.
O presidente dos EUA, Donald Trump, comenta as tarifas impostas a outros países no Rose Garden da Casa Branca, em Washington, DC, EUA – 2/4/2025 – Foto: Carlos Barria/Reuters
Pix fica fora da negociação de Lula

O governo brasileiro também propôs ampliar garantias em seis áreas investigadas pelos EUA: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. A intenção é demonstrar que essas políticas não criam distorções comerciais nem discriminam empresas norte-americanas.

Ao mesmo tempo, o Brasil manteve alguns temas fora da mesa de negociação. O Pix, por exemplo, permanece como assunto inegociável. Da mesma forma, o governo informou que não pretende discutir questões ligadas à política interna, como decisões do Supremo Tribunal Federal e assuntos relacionados à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em nota, Elias Rosa afirmou que o diálogo entre os dois países “tem sido construtivo”, mas reconheceu que será necessário mais tempo para detalhar as propostas e aproximar posições. Segundo o ministro, as discussões fazem parte das negociações pós-encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, em 7 de maio, com o objetivo de buscar uma solução negociada para o comércio bilateral.

A investigação conduzida pelos EUA tem como base a Seção 301, ferramenta da legislação norte-americana que permite apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país. A consulta pública sobre o caso brasileiro segue aberta até 6 de julho, haverá uma audiência pública no dia 7 e a decisão sobre a eventual aplicação das tarifas está prevista para 15 de julho.

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