Senador deve tentar barrar discurso de soberania nacional, endossado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Lucas Cheiddi

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participa nesta segunda-feira, 6, como testemunha em audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em meio à investigação sobre supostas práticas brasileiras consideradas “irrazoáveis” e à possibilidade de imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil exportados para o mercado norte-americano.
Flávio declarou que se opõe à medida e pretende argumentar durante a audiência. Segundo o senador, sua intenção é impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obtenha ganhos políticos com o episódio, de modo a explorar a narrativa de defesa da soberania nacional.
O parlamentar, aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não busca encerrar a investigação. Contudo, que a decisão de impor tarifas favoreceria o governo brasileiro.
Alegações do USTR contra o Brasil e posição de Flávio
Decisão final ficará a cargo de Donald Trump | Foto: Reuters/Sipa USA
Decisão final ficará a cargo de Donald Trump | Foto: Reuters/Sipa USAEntre as alegações do USTR contra o Brasil estão ordens judiciais que exigiram de empresas norte-americanas de mídia social a remoção de conteúdos políticos e o bloqueio de perfis, inclusive de residentes nos EUA, além de multas e restrições a pagamentos.
O país também sofre acusações de de dificultar a atuação de companhias dos EUA de serviços eletrônicos de pagamento, criar benefícios tarifários para México e Índia em setores competitivos, não combater suficientemente corrupção e pirataria, e manter tarifas desfavoráveis ao etanol dos EUA desde 2017. O processo ainda aponta falhas na aplicação da legislação contra desmatamento ilegal.
Na solicitação para participar da audiência, Flávio ressaltou que sua posição não é ambígua e sugeriu que a investigação prossiga. “Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, afirmou o senador.
O empresário Paulo Figueiredo, conhecido apoiador da família Bolsonaro, também está inscrito para se manifestar. Ele declarou que irá se posicionar contra a tarifa. “A ação proposta puniria as vítimas da conduta que deu origem a esta investigação, ao mesmo tempo que fortaleceria seus autores”, disse.
A proposta de taxação de 25% sobre importações brasileiras surge como resposta a práticas avaliadas como “irrazoáveis” pelo governo dos Estados Unidos. Ela tem relação com a investigação sobre o Pix. O tema será debatido em audiências públicas e a decisão final ficará a cargo de Donald Trump.
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