Medida resulta da soma de nova taxa de 12,5%, anunciada nesta quinta, 23, a uma sobretaxa de 25%, já estava em vigor desde semana passada
Lucas Cheiddi
À esquerda, o presidente dos EUA, Donald Trump; à direita, o presidente do Brasi, Lula da Silva | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais
Exportadores brasileiros enfrentarão, a partir desta sexta-feira, 24, tarifas adicionais de até 37,5% para vender milhares de produtos nos Estados Unidos (EUA). A medida resulta da soma de uma nova tarifa de 12,5%, anunciada nesta quinta-feira, 23, a uma sobretaxa de 25% que já estava em vigor desde a semana passada para grande parte das mercadorias afetadas.
Com esse aumento, o Brasil passa a ser um dos países mais sobretaxados pelo governo norte-americano, atrás apenas da China. As novas tarifas foram estabelecidas depois de investigações baseadas na Seção 301 do Trade Act de 1974.
O relatório do governo dos EUA acusa o Brasil de não adotar medidas suficientes para combater o trabalho forçado em setores produtivos específicos.
Investigações dos EUA e impacto nos setores exportadores
Além dessa investigação, outra apuração conduzida sob a mesma legislação aponta alegações de práticas comerciais desleais e problemas ambientais, como o desmatamento. Essa investigação anterior resultou na sobretaxa de 25% vigente desde a quarta-feira, 22.
De acordo com a Amcham Brasil, a tarifa extra de 12,5% atinge cerca de 3 mil itens, representando US$ 12,5 bilhões em exportações anuais brasileiras para os Estados Unidos.
Desses produtos, aproximadamente 85,3% – ou US$ 10,7 bilhões – passarão pela cobrança das duas tarifas somadas. Itens não incluídos nas listas de exceção publicadas pelo USTR passam a ser tributados cumulativamente.
Entre os segmentos impactados estão etanol, celulose de alta pureza, maquinário agrícola e de mineração, transformadores elétricos industriais, calçados, móveis de madeira, roupas, pisos, rochas ornamentais e equipamentos eletrônicos.
O etanol brasileiro se destaca como um dos principais alvos das medidas comerciais. Segundo documentos da investigação da Seção 301, restrições ao acesso do etanol norte-americano no Brasil motivaram a apuração aberta em julho de 2025. O produto ficou sujeito à tarifa adicional de 25% e, agora, também à de 12,5%, totalizando 37,5%, pois não está nas listas de exceção.
Durante a consulta pública do USTR, produtores dos Estados Unidos defenderam as sobretaxas como compensação por supostas barreiras tarifárias e políticas brasileiras. Alguns também sugeriram adoção de novas medidas não tarifárias contra o Brasil.
Outros participantes advertiram que a tarifa acumulada de 37,5% para o etanol brasileiro seria desproporcional em relação à praticada pelo Brasil, podendo prejudicar o comércio bilateral e aumentar custos para empresas e consumidores norte-americanos.
Produtos excluídos e consequências econômicas
As listas de exceção praticamente não diferem entre as duas decisões e excluem produtos considerados estratégicos para a economia dos EUA ou já sujeitos a outras taxações. Ficam de fora aeronaves civis, motores de avião, aço e alumínio já taxados pela Seção 232, ferro-gusa, pelotas de minério, sucata metálica, hidróxido de alumínio, livros, filmes, doações humanitárias, bagagem pessoal, além de alguns produtos agrícolas e florestais, como madeira tropical, café solúvel, mel orgânico e certos cortes de carne bovina.
Os impactos dessas tarifas já aparecem nas exportações brasileiras depois da volta de Donald Trump à presidência em fevereiro de 2025. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, entre janeiro e junho de 2026, 20 dos 27 Estados brasileiros registraram queda nas vendas para os Estados Unidos em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. Desde março de 2025, o recuo acumulado chega a 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.
Um dos segmentos impactados é o do etanol | Foto: Senivpetro/Freepik
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