Itamaraty viu visita de membros do Departamento de Estado americano como manobra para lançar dúvidas sobre integridade do sistema eleitoral
Por Redação VEJA
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/MANDEL NGAN/AFP)O Ministério das Relações Exteriores negou vistos de entrada a dois funcionários de alto escalão do Departamento de Estado americano, chefiado pelo republicano Marco Rubio. A informação foi publicada pelo jornal The Washington Post e confirmada por VEJA no domingo 26.
Os funcionários afetados são Riley M. Barnes e Samuel D. Samson. Ambos viriam com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considerou, porém, que a manobra visava lançar dúvidas sobre a lisura do sistema eleitoral.
Em resposta, a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou que a viagem tivesse o objetivo de interferir na eleição presidencial. Ao portal UOL, o Departamento de Estado alegou que seria uma “visita rotineira”.

“Qualquer insinuação de que a visita seria uma artimanha para prejudicar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada”, acrescentou a nota.
Barnes e Samson solicitaram a autorização na última segunda-feira 20, um dia antes do candidato Flávio Bolsonaro (PL) participar de um evento com embaixadores em Brasília, onde atacou as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Barnes é subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado americano e integra, desde abril, a função de Coordenador Especial dos Estados Unidos para Assuntos Tibetanos. Também atua como “embaixador itinerante para a liberdade religiosa internacional”. Na vida acadêmica, Barnes possui bacharel em Ciência Política e é mestre em Relações Internacionais e Serviço Público.
Já Samuel Samson, subsecretário adjunto do Departamento de Estado, tem a função de defender os direitos naturais americanos, além de preservar o desenvolvimento de políticas que preservem “o interesse e o patrimônio civilizatório” dos Estados Unidos e do Ocidente. Ele coordena ainda iniciativas de alcance regional e projetos estratégicos voltados à implementação da agenda America First (“América em Primeiro Lugar”), principal diretriz da política externa do presidente Trump.

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