Parlamentar quer apurar quebra de decoro de Senival Moura depois de operação que investiga suposta ligação com o PCC
Mateus Conte

Senival Moura, vereador pelo PT na cidade de São Paulo | Foto: Reprodução/Site de Senival Moura
A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) protocolou nesta quinta-feira, 25, uma representação na Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo contra o vereador Senival Moura (PT), preso na Operação Última Parada.
A parlamentar pede a abertura de procedimento disciplinar para apurar eventual quebra de decoro parlamentar em razão das investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo apontam indícios de que a concessionária teria sido utilizada para ocultar recursos da organização criminosa. O caso continua em apuração, e não há condenação definitiva contra o vereador.
Amanda afirmou que cabe à Câmara analisar o caso. “A Câmara Municipal tem o dever de fazer sua parte e apurar, por meio da Corregedoria, se um vereador investigado por fatos dessa gravidade reúne condições de continuar exercendo seu mandato”, disse.
Amanda Vettorazzo discursa na Câmara Municipal de São Paulo | Foto: Divulgação/AssessoriaVereador do PT é preso em São Paulo
A Operação Última Parada cumpriu cinco mandados de prisão e mais de cem de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados, além da intervenção na concessionária e do afastamento de sua diretoria.
Segundo as investigações, Senival seria o controlador de fato da Transunião, embora não ocupasse cargo formal na empresa. Os investigadores afirmam que a concessionária era utilizada para ocultar e movimentar recursos da facção criminosa.
Em entrevista coletiva, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais, Ronaldo Sayeg, afirmou que o vereador chegou a ser jurado de morte pelo PCC por suposto desvio de recursos, mas foi perdoado depois de ressarcir os valores.
As investigações tiveram origem na morte de Adauto Soares Jorge, ex-diretor da Transunião, assassinado a tiros em 2020. A partir desse crime, policiais e promotores passaram a apurar a estrutura financeira da empresa e sua suposta ligação com o PCC. A defesa de Senival afirmou ter recebido a prisão com indignação e negou qualquer envolvimento do vereador com atividades criminosas.
Com base nesses elementos, a vereadora sustenta que houve violação ao Código de Ética da Câmara Municipal e defende a abertura de processo disciplinar para apurar a conduta do parlamentar. Agora, caberá à Corregedoria da Câmara analisar a representação e decidir deflagrará o procedimento disciplinar previsto no Regimento Interno.
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