Em 2025, a atividade gerou quase R$ 10 bi em tributos
Carlo Cauti
Edilson Salgueiro

Para Lula, a expansão da jogatina on-line ajuda a explicar o aperto no bolso dos brasileiros | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender restrições às plataformas de apostas esportivas e atribuiu às chamadas bets parte da deterioração da situação financeira das famílias brasileiras. Ele deu a declaração em um momento em que o endividamento da população superou 80%, o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Para Lula, a expansão da jogatina on-line ajuda a explicar o aperto no bolso dos brasileiros. A Edição 327 da Revista Oeste analisa essa narrativa e reúne dados sobre o avanço das dívidas, a inflação persistente, os juros elevados e o crescimento do mercado de apostas no país.
O efeito das bets no bolso do brasileiro
A reportagem mostra que, ao mesmo tempo em que endureceu o discurso contra as plataformas, o governo ampliou a regulamentação do setor. Desde 2024, foram concedidas 85 licenças para a operação de 187 sites de apostas. Em 2025, a arrecadação federal proveniente da atividade se aproximou de R$ 10 bilhões. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o valor já alcançava R$ 4,5 bilhões.
O texto também destaca o cenário econômico enfrentado pelas famílias. De acordo com o Banco Central, cerca de 30% da renda dos brasileiros está comprometida com o pagamento de dívidas. O cartão de crédito continua sendo o principal fator de endividamento, com juros do rotativo próximos de 430% ao ano. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a inadimplência supera 38%.

A hipocrisia de Lula
A análise não ignora os efeitos sociais da expansão das apostas. O avanço da ludopatia, o aumento da procura por tratamento e o uso de recursos de programas sociais em jogos de azar aparecem entre os temas abordados. Um dos levantamentos citados mostra que beneficiários do Bolsa Família movimentaram cerca de R$ 4 bilhões em apostas em apenas um mês.
Com números sobre arrecadação, endividamento, inflação e crédito, Oeste examina uma questão que está no centro do debate econômico: até que ponto as apostas explicam a crise financeira das famílias brasileiras e qual o peso de outros fatores nesse cenário.
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