Prédio histórico na Itália abrigou cantores e escritores que apoiaram a campanha eleitoral do petista em 2022
Erich Mafra
O governo federal enquadrou os gastos no Programa de Diplomacia Cultural | Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilA residência oficial do Brasil em Roma transformou-se em alojamento para artistas que apoiaram a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. O Ministério das Relações Exteriores custeou as estadias de cantores e escritores com dinheiro dos pagadores de impostos. O palácio italiano abrigou nomes como Fafá de Belém, Mônica Salmaso, Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei durante o atual mandato petista. A apuração das estadias foi revelada pelo portal Metrópoles.
A lista de beneficiados veio a público por meio da Lei de Acesso à Informação. O Itamaraty tentou esconder os dados durante meses sob a alegação de que a exigência era desproporcional. A liberação dos registros ocorreu somente depois de a Controladoria-Geral da União (CGU) aceitar um recurso e derrubar o veto da diplomacia. Os documentos mostram que as embaixadas brasileiras no exterior consumiram R$ 240,5 milhões em manutenção apenas no ano passado.
Ministério bancou shows de R$ 273 mil na Europa
O governo federal enquadrou os gastos no Programa de Diplomacia Cultural, uma verba pública carimbada para divulgar o Brasil no exterior. Fafá de Belém usufruiu da estrutura do palácio em maio de 2024 para fazer apresentações na Itália e em San Marino. O Ministério das Relações Exteriores liberou R$ 273,8 mil para os shows da cantora, que gravou vídeos de apoio a Lula no primeiro turno da última campanha presidencial.
A cantora Mônica Salmaso também utilizou os quartos da residência oficial em outubro de 2024, acompanhada por dois músicos de sua equipe. A apresentação do grupo custou R$ 51,2 mil aos cofres do Estado. Outros artistas conhecidos, como o ator Fábio Porchat, frequentaram o prédio histórico em caráter particular, sem registro no programa governamental por terem bancado as despesas do próprio bolso.
Janja, Dilma e ministros dividiram os aposentos
O relatório detalha a hospedagem de 68 pessoas em Roma, incluindo uma comitiva de políticos do PT e autoridades do Judiciário. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, o chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, utilizaram a estrutura. A ex-presidente Dilma Rousseff também ocupou o local por cinco dias em 2024 para conseguir uma audiência com o Papa Francisco.
O secretário do Ministério do Trabalho, Gilberto Carvalho, foi outro integrante do primeiro escalão petista que se alojou no casarão de Roma. O Itamaraty justificou o uso político e artístico do imóvel afirmando que as instalações servem para apoiar eventos institucionais e atrair investimentos estrangeiros.
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