Os advogados do banqueiro tentam reabrir canais de diálogo mesmo com a recusa definitiva da PF e da PGR
Erich Mafra

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em foto feita em sua prisão | Foto: Divulgação/Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro mantém uma ofensiva de bastidores para tentar reabrir as negociações de um acordo de delação premiada em Brasília. Segundo o jornal O Globo, os advogados do ex-dono do Banco Master tentam encontrar brechas para retomar os diálogos com a Polícia Federal (PF) e com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Todas as abordagens e tentativas de aproximação falharam por causa do bloqueio imposto pelos investigadores do caso.
O movimento mais recente da defesa ocorreu no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado Sérgio Leonardo abordou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante o intervalo de um julgamento, afirmando que o cliente topava entregar novas informações ao Ministério Público. Gonet recusou a oferta de imediato. A banca de advogados repetiu a estratégia em visitas pessoais e contatos informais nas sedes da PF e da PGR.
Órgãos de controle consideram ofertas um truque jurídico
As autoridades de controle tratam a insistência dos defensores como uma manobra. A PF e a PGR não acreditam na disposição do banqueiro de confessar crimes reais. A PGR barrou a segunda proposta de colaboração por concluir que o depoimento omitia dados cruciais e não trazia fatos novos. Uma semana antes, os delegados federais já haviam adotado o mesmo entendimento para recusar a assinatura do termo.
Daniel Vorcaro cumpre prisão preventiva no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, para onde seguiu depois de as tratativas fracassarem na Superintendência da PF. O ministro André Mendonça, do STF, emitiu ordens estritas para manter o isolamento completo do banqueiro na prisão. A determinação veda qualquer contato de Vorcaro com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também preso na mesma ala pela Operação Compliance Zero.
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