Banqueiro estava em sala espacial na Superintendência da PF, em Brasília, a mesma utilizada anteriormente por Jair Bolsonaro
Por Gustavo Nascimento

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master - Foto: Divulgação | Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido para uma cela comum nesta segunda-feira, 18, após dois meses preso em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, a mesma utilizada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o período em que esteve detido na corporação.
Com a mudança, o banqueiro passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito pela Superintendência da PF, de forma que as restrições sobre as visitas de advogados aumentaram. As visitas agora terão que seguir controles mais rígidos e horários específicos definidos pela custódia da corporação.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, pessoas próximas ao banqueiro afirmam que o novo espaço possui estrutura mais precária do que a cela anterior, incluindo limitações de banheiro e acomodação. Segundo investigadores da PF, a transferência segue normas internas da corporação para custódia de presos.
Prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março de 2026. Dois dias depois, em 6 de março, ele foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília.
O banqueiro é acusado como líder de um esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master. O caso é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero.
Delação premiada
A mudança de cela ocorre dois meses após Vorcaro firmar um termo de confidencialidade para negociar um acordo de delação premiada. No entanto, o banqueiro enfrenta dificuldades para convencer autoridades de que está disposto a cooperar efetivamente com as investigações.
Vorcaro entregou um rascunho de delação no dia 5 de maio, mas os termos foram considerados insuficientes. Na primeira proposta, Vorcaro não mencionou a suposta mesada paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em valores que chegariam a R$ 500 mil.
Além disso, o rascunho da delação também não inclui as cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo orçamento poderia chegar a R$ 134 milhões.
Tanto os supostos favores a Ciro Nogueira quanto a relação com Flávio Bolsonaro vieram à tona após a apresentação da primeira proposta da defesa do banqueiro.
Diante disso, integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que Vorcaro está pressionado a apresentar uma nova proposta, caso queira obter eventual redução de pena em caso de condenação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por seu comentário.