Presidente da Casa ocupa o topo do ranking de despesas referentes a 2025
Luana Viana

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), durante votação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF - 29/4/2026 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Em 2025, os senadores gastaram R$ 8 milhões com publicidade, por meio da cota parlamentar. Levantamento feito por Oeste mostra que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), lidera as despesas, com cerca de R$ 530 mil — o equivalente a quase 7% do total.
A cota parlamentar é um valor mensal usado para custear despesas do mandato, como passagens, aluguel de escritório e combustível. No caso da publicidade, os recursos são destinados à divulgação da atividade parlamentar, incluindo contratação de agências, produção de conteúdo e veiculação em sites e redes sociais.
Alcolumbre declarou ainda outros R$ 32,7 mil em impulsionamento de conteúdo em redes sociais. O valor é o maior entre os 81 senadores.
A evolução dos gastos do presidente do Senado mostra um salto nos últimos anos. Em 2018, não houve registro de despesas com publicidade. Em 2019, primeiro ano à frente da Casa, o valor foi de R$ 6 mil. A partir de 2020, os números passaram a outro patamar e se mantiveram elevados.
Gastos de Alcolumbre com publicidade:
2018: R$ 0
2019: R$ 6 mil
2020: R$ 438 mil
2021: R$ 428 mil
2022: R$ 118 mil
2023: R$ 428 mil
2024: R$ 412 mil
2025: R$ 525 mil
Notas fiscais obtidas pela coluna mostram que os recursos foram direcionados, de forma recorrente, a empresas de comunicação sediadas no Amapá (AP), Estado do senador.
Os pagamentos seguem padrão mensal e se concentram em um grupo restrito.
A empresa Nagib Comunicação e Marketing Ltda. concentra a maior fatia dos repasses, com valores mensais de R$ 25 mil, além de pagamentos adicionais em diversos meses.
Também aparecem, de forma recorrente, a Click Assessoria e Comunicação Ltda., com R$ 2,5 mil mensais, e o Diário Comunicações Ltda., com valores entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.
Ao longo de 2025, os gastos seguiram um padrão estável. Em janeiro e fevereiro, o total mensal foi de R$ 38,5 mil. A partir de março, os valores passaram para cerca de R$ 45 mil e se mantiveram nesse patamar até o fim do ano, com variações pontuais.
Parte dos recursos voltados a publicidade é utilizada na divulgação de conteúdos favoráveis a Alcolumbre em sites e perfis locais do Amapá.
A reportagem identificou publicações recorrentes sobre ações, investimentos e agendas institucionais associadas diretamente ao mandato de Alcolumbre.
Entre os exemplos estão notícias sobre medidas aprovadas no Senado, obras de infraestrutura e anúncios de recursos para o Estado.
O portal Diário do Amapá publicou conteúdos acerca de propostas voltadas à proteção de mulheres e a destinação de um angiógrafo ao Hospital Universitário da Unifap, ambas associadas à atuação do senador.
Já o Jornal O Guarani veiculou reportagens a respeito de investimentos em obras e eventos locais, como a restauração do Teatro das Bacabeiras, a pavimentação do Ramal do Manga e a Expofeira do Amapá.
Gastos de senadores com publicidade, além de Alcolumbre
Além do presidente da Casa, os gastos da senadora Zenaide Maia (PSD-RN) também se destacam. Ela aparece na segunda posição, com aproximadamente R$ 450 mil declarados no ano.
Na sequência, aparecem Styvenson Valentim (PSDB-RN), com quase R$ 400 mil, e Efraim Filho (União-PB), com R$ 380 mil.
Os dados revelam que os maiores gastos se concentram sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, onde diversos senadores registram despesas elevadas com publicidade.
Já no Sudeste e no Sul, o cenário é mais heterogêneo, com casos de gastos altos e também de ausência de despesas.
O levantamento mostra ainda que 26 senadores não utilizaram recursos da cota para publicidade em 2025, entre eles estão Renan Calheiros (MDB-AL), Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI).
Enquanto 32% dos senadores não usaram a cota para publicidade, uma parcela menor concentrou a maior parte dos recursos destinados à divulgação da atividade parlamentar.
Top 10 de parlamentares que mais tiveram despesa na área
Davi Alcolumbre (União-AP) – 525 mil
Zenaide Maia (PSD-RN) – 447 mil
Styvenson Valentim (Podemos-RN) – 393 mil
Efraim Filho (União-PB) – 380 mil
Beto Faro (PT-PA) – 305 mil
Nelsinho Trad (PSD-MS) – 296 mil
Sergio Petecão (PSD-AC) – 290 mil
Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) – 279 mil
Carlos Viana (Podemos-MG) – 272 mil
Jorge Seif (PL-SC) – 259 mil
Posicionamentos
A Oeste, a assessoria de imprensa de Alcolumbre afirmou que as despesas citadas estão integralmente dentro das regras do Senado Federal.
“A variação ao longo dos anos reflete, sobretudo, a evolução das estratégias de comunicação, com maior uso de ferramentas digitais e redes sociais para ampliar o alcance das ações do mandato e garantir acesso à informação a públicos diversos”, destacou a nota. “Os serviços podem envolver contratação de fornecedores especializados, sempre mediante apresentação de nota fiscal e dentro dos limites legais, conforme as normas da Casa.”
Zenaide disse que utilizou recursos “disponibilizados pelo Senado para o pleno exercício da atividade parlamentar, que demanda canais de comunicação e de prestação de contas junto à população”.
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