Investigação identifica estrutura paralela usada para ameaças, espionagem e acesso ilegal a sistemas públicos em favor do ex-banqueiro preso
Isabela Jordão
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em foto feita em sua prisão | Foto: Divulgação/Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou nesta quinta-feira, 14, a sexta fase da Operação Compliance Zero, afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria pago um “bônus de final de ano” a integrantes do grupo conhecido como “A Turma”. O grupo foi assinalado pela Polícia Federal (PF) como braço responsável por ameaças e intimidações.
“A autoridade policial destaca que esse pagamento é compatível com o bônus de final de ano que Daniel Vorcaro teria destinado à ‘Turma’”, registra o documento citado na investigação.
Segundo a PF, a estrutura ligada a Vorcaro era dividida em dois núcleos. O grupo denominado “A Turma” atuaria em ações presenciais de ameaça, coerção e obtenção clandestina de informações. Já “Os Meninos” seria responsável por ataques cibernéticos, invasões de sistemas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.

Luiz Phillipi Mourão, suposto ‘matador de aluguel’ do banqueiro Daniel Vorcaro, morreu depois de ser preso | Foto: Divulgação/Polícia Civil-MG
As investigações apontam que, em dezembro de 2025, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva pediu a chave Pix de Anderson Wander da Silva Lima, agente da PF lotado na Delegacia Especial da corporação no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, Marilson também integrava “A Turma”. A denúncia afirma que ele “realizou pagamento a Anderson, pedindo sua chave Pix para enviar uma ‘oferenda’, efetivada no dia seguinte”.
Os investigadores descrevem o grupo como um núcleo voltado à prática de “ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais” para atender aos interesses de Vorcaro.
Vorcaro foi transferido para prisão segurança máxima em Brasília | Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilA PF sustenta que a estrutura integrava um esquema paralelo de vigilância supostamente comandado pelo banqueiro, atualmente preso. Conforme a investigação, o grupo liderado por Marilson Roseno da Silva era acionado pelo pai de Vorcaro para exigir vantagens ilícitas. Os investigadores também atribuem a ele a função de operador financeiro dos pagamentos.
Policiais federais serviam como “espiões” de Vorcaro
Entre os investigados estão o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior, alvo de mandado de prisão, e Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro, também alvo de prisão.
O ministro do STF e relator do caso Master, André Mendonça | Foto: Andressa Anholete/STFA investigação inclui ainda a delegada da PF Valéria Vieira Pereira da Silva, alvo de buscas e afastada do cargo, além de estar proibida de manter contato com integrantes da corporação. O marido dela, Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado, também foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Segundo a PF, Valéria e Francisco atuavam no repasse de informações sigilosas a Marilson Roseno da Silva por meio de consultas no sistema e-Pol, plataforma interna da Polícia Federal.
A decisão do STF também menciona Manoel Mendes Rodrigues, descrito pelos investigadores como “empresário do jogo do bicho” no Rio de Janeiro e apontado como líder de um braço local do grupo investigado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por seu comentário.