Júlio Wiziack
Colunista do UOL
Presidente Lula com Magda Chambriard, presidente da Petrobras, na cerimônia de posse da executivaImagem: Divulgação/RICARDO STUCKERT/PRResumo
O reajuste de preço da gasolina sinalizado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, deverá superar 15% para dar conta das perdas decorrentes da defasagem internacional do preço do petróleo, que continua no patamar de US$ 100 o barril.
Pessoas que participaram das discussões do reajuste na estatal afirmaram, sob reserva, que o descompasso entre a cotação internacional e os preços praticados internamente acumularam US$ 1 bilhão desde o início do conflito no Irã em decorrência do fechamento do estreito de Hormuz, por onde passa 20% do comércio de petróleo.
Desde então, a estatal aguardava a tramitação de um projeto de lei que deveria zerar a cobrança de PIS e Cofins da gasolina —algo que seria suficiente para conter as perdas.
No entanto, com o impasse político do governo Lula no Senado após a indicação de Jorge Messias para ocupar uma vaga no STF, a Petrobras acredita que esse projeto está comprometido no curto prazo.
A situação em torno da gasolina está tão dramática que Chambriard nem participou da reunião do conselho de administração hoje. A executiva esteve em Brasília discutindo o reajuste.
Dados do governo indicam que o litro da gasolina deveria ser reajustado em, no mínimo, R$ 1,70 para cobrir a defasagem com os preços internacionais.
É possível, contudo, que a estatal continue contendo preço —reduzindo a potência do reajuste— incorporando as perdas em seu resultado. Estimativas internas indicam que o reajuste, para cobrir integralmente as perdas, chegaria a 20%.
Também há chances de que ocorra uma subvenção com recursos do Orçamento, algo que também foi discutido com Lula, mas ainda sem perspectiva.
Um reajuste neste momento pode afetar a campanha à reeleição do presidente Lula. Recentemente, o governo baixou um pacote de medidas que ajudaram a conter os preços do diesel, principalmente —forma de evitar uma paralisação de caminhoneiros.
O mandatário não quer que os consumidores paguem a conta da guerra no Irã e também se preocupa que uma alta mais forte gere impacto sobre a inflação, piorando ainda mais a insatisfação do eleitorado com seu governo.
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