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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Israel ataca Beirute pela 1ª vez desde o cessar-fogo

Bombardeio teve como alvo um comandante da Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah

Mateus Conte

Fumaça sobe ao fundo depois de bombardeios israelenses no sul do Líbano | Foto: NNA/Divulgação

Israel realizou nesta quarta-feira, 6, o primeiro ataque aéreo contra Beirute desde o cessar-fogo firmado com o Hezbollah no mês passado. Segundo o governo israelense, o alvo da operação foi um comandante da Força Radwan, unidade de elite do grupo xiita libanês, nos subúrbios ao sul da capital do Líbano.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram a ação em uma declaração conjunta. A imprensa israelense informou que o comandante teria sido morto, mas, até o momento, não houve confirmação oficial das Forças de Defesa de Israel nem do Hezbollah.

Em uma publicação nas redes sociais, Netanyahu afirmou: “Os terroristas da Força Radwan são responsáveis pelo fogo contra assentamentos israelenses e por ferir soldados das FDI”, declarou. “Nenhum terrorista tem imunidade — a mão longa de Israel alcançará todo inimigo e assassino. Prometemos trazer segurança aos residentes do norte — assim fazemos e assim faremos!”

O ataque ocorre em meio a um cessar-fogo firmado entre Israel e Hezbollah no mês passado. Segundo a agência Reuters, a trégua no Líbano servia de base para um entendimento mais amplo entre Estados Unidos e Irã, já que a suspensão dos bombardeios israelenses em território libanês era uma das exigências iranianas.

Apesar do acordo, tropas israelenses permaneceram em áreas ao sul do Rio Litani. O Hezbollah, por sua vez, respondeu com disparos e drones armados contra soldados israelenses.

Nesta quarta-feira, Israel também pediu a evacuação de moradores de diversas localidades ao norte do rio, o que pode indicar uma ampliação da área de atuação militar israelense. O Litani é uma das principais referências territoriais dos acordos militares no sul do Líbano. A presença israelense ao sul do rio é frequentemente tratada como uma zona de segurança.

Bombardeios se intensificam no sul do Líbano

Além do ataque em Beirute, a agência estatal libanesa NNA informou que Israel realizou uma série de bombardeios em diferentes regiões do sul do Líbano ao longo desta quarta-feira. Segundo relatos preliminares divulgados pela agência, ao menos nove pessoas morreram e 16 ficaram feridas nos ataques.

As ofensivas atingiram diversas cidades e áreas do sul libanês, como Saksakiyeh, Khirbet Silem, Ansariyeh, Bazouriyeh, Mansouri e regiões próximas de Nabatieh e Tiro. A NNA também relatou ataques contra estradas, veículos e áreas residenciais.

De acordo com a agência estatal, os bombardeios provocaram danos em casas, estradas e estruturas urbanas. Em algumas localidades, equipes de defesa civil atuaram na retirada de corpos e no socorro aos feridos.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 2,7 mil pessoas morreram desde o começo da guerra, em 2 de março. Desde então, o Hezbollah lançou centenas de foguetes e drones contra Israel. Os israelenses, por sua vez, informaram que 17 soldados morreram no sul do Líbano, além de dois civis no norte de Israel.

Governo libanês evita falar em encontro com Israel

As negociações entre Israel e Líbano continuaram nas últimas semanas, mas principalmente em nível diplomático, por meio de embaixadores. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou nesta quarta-feira que ainda é “prematuro” discutir uma reunião de alto nível entre autoridades dos dois países.

Segundo a NNA, Salam declarou que o Líbano “não busca normalização com Israel, mas, sim, alcançar a paz”. Ele acrescentou que “a exigência mínima” do governo libanês é “um cronograma para a retirada israelense”. O premiê também afirmou que o fortalecimento do cessar-fogo seria a base para novas negociações entre representantes libaneses e israelenses em Washington.

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