Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, manifestou preocupação com o tema; confira nota
Lucas Cheiddi

À esquerda, Celso Amorim; à direita, Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Fábio Rodrigues/Agência Brasil
A recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas provocou reações na cúpula do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que vê riscos à soberania nacional e questiona o impacto da medida.
Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, manifestou preocupação com um possível pretexto para intervenção externa. “Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas”, disse, em nota. “Pretexto para intervenção é inaceitável.”
Classificação dos grupos e contexto internacional
O anúncio sobre a decisão ocorreu nesta quinta-feira, 28, pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, por meio das redes sociais. “O seu alcance estende-se por toda a nossa região e pelo nosso país”, escreveu.
O Departamento de Estado classificou o PCC e o CV como Terroristas Globais Especialmente Designados. A previsão é de inclusão como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026.
Segundo o comunicado, os grupos são considerados “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, com atuação que ultrapassa fronteiras nacionais e influência sobre diversos mercados ilícitos na região. O texto destaca ainda ataques contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros.
Visões de Flávio Bolsonaro e de Lula
A iniciativa ocorre logo depois da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA. No país, manteve reuniões com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D Vance e o secretário Marco Rubio. De acordo com o The New York Times, Flávio e Eduardo Bolsonaro conversaram com o governo norte-americano no sentido de adotar a classificação.
Nos últimos meses, diplomatas brasileiros tentaram evitar a decisão dos EUA. O tema foi discutido entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Rubio, em razão de receio de que a medida represente ameaça à soberania do Brasil.
Apesar disso, Lula da Silva afirmou, depois de encontro com Trump na Casa Branca no início de maio, que os dois não abordaram o tema.
Com a nova classificação, o governo norte-americano pode adotar medidas como bloqueio de ativos, restrições migratórias e criminalização de qualquer apoio material aos grupos. Além disso, pode ampliar o uso de ferramentas de inteligência e operações do Departamento de D
Lula e Flávio | Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Carlos Moura/Agência Senado
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