Parente do líder criminoso era acusado de operar jogo do bicho e bets no Ceará
Loriane Comeli
Marcola cumpre pena em regime fechado | Foto: Reprodução/Redes sociaisAcusado de operar uma bet e pontos do jogo do bicho do Primeiro Comando da Capital (PCC), um sobrinho de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, o líder máximo da facção, e outros oito réus foram absolvidos pelo Tribunal de Justiça do Ceará da acusação de organização criminosa e contravenção.
O sobrinho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, já havia sido absolvido por “falta de provas” em primeira instância, em agosto de 2025. O Ministério Público do Ceará recorreu, mas a sentença foi mantida por unanimidade pela 2ª Câmara Criminal da Corte.
A defesa de Leonardo informou que as acusações da Promotoria “jamais encontraram respaldo em provas concretas” e que “o período de quase um ano e meio de prisão causou profundo sofrimento aos familiares”.
Segundo o Ministério Público, Leonardo integra “a estrutura criminosa armada, vinculada ao PCC, organizada em diferentes núcleos operacionais e sustentada financeiramente por atividade empresarial no setor de loterias”.
O sobrinho de Marcola foi um dos alvos da Operação Primma Migratio, deflagrada em abril de 2024 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) no Ceará, que focou a migração de lideranças do PCC para o Nordeste para gerenciar tráfico de drogas, armas e exploração de jogos de azar.
Tio de Leonardo, Marcola é apontado como chefe da Sintonia Final da facção, responsável por tomar decisões estratégicas, disciplinares e financeiras da organização. Preso desde 1999 e condenado a 342 anos de prisão, ele cumpre pena atualmente na Penitenciária Federal de Brasília.
Ao recorrer da absolvição em primeira instância, o Ministério Público revelou que os réus “integram organização criminosa armada ligada ao PCC, voltada à exploração ilícita de bets e ao jogo do bicho, com indícios de lavagem de dinheiro e outros delitos”.
O entendimento do tribunal sobre o sobrinho de Marcola
No entendimento da Corte, porém, não ficou comprovada a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão clara de funções e atuação coordenada para a prática de crimes. Para os desembargadores, esses elementos não foram demonstrados de forma segura no caso.
Os magistrados também avaliaram que as provas apresentadas são “genéricas” e baseadas, em grande parte, em inferências, sem individualizar a conduta de cada acusado. Segundo a decisão, não há demonstração clara de que os réus tinham vínculo direto e consciente com uma eventual estrutura criminosa atrelada ao PCC.
Para o Tribunal de Justiça do Ceará, não há provas do envolvimento dos réus em crimes ligados ao PCC | Foto: Agência BrasilRelator do caso, o desembargador Benedito Helder Afonso Ibiapina afirmou que “o que se tem nos autos, ao invés de uma construção dedutiva firme, é um conjunto de elementos frágeis, soltos, que não se amarram com a coesão necessária para gerar a certeza exigida em matéria penal”.
O magistrado prosseguiu: “Os relatórios policiais e os depoimentos colacionados pelo Ministério Público foram apresentados de forma genérica, sem indicar elementos concretos que sustentem a imputação”.
Ele também escreveu que “a mera vinculação funcional ou societária a uma empresa formalmente constituída, ainda que posteriormente questionada, não autoriza concluir pela adesão dos réus à facção criminosa PCC, organização de reconhecida gravidade e estrutura”.
Leia a íntegra da nota do advogado Bruno Ferullo, que defende Leonardo Herbas Camacho
Bruno Ferullo, advogado responsável pela defesa técnica de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, vem a público manifestar-se sobre o julgamento da apelação interposta pelo Ministério Público, ocorrido na data de ontem (08/04), que buscava reverter a sentença absolutória.
O Tribunal, ao confirmar a decisão de primeiro grau, reconheceu novamente que as acusações formuladas jamais encontraram respaldo em provas concretas, evidenciando a inexistência de elementos aptos a sustentar qualquer condenação.
A decisão reafirma o acerto do julgamento absolutório e destaca a importância da observância do devido processo legal e da preservação das garantias fundamentais.
A defesa reitera que seguirá firme na busca pela reparação dos danos decorrentes da exposição indevida e do período de quase um ano e meio de prisão injusta, que causou profundo sofrimento a Leonardo e a seus familiares.
Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo
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