Site afirma que investigadores veem disputa no STF devido a uma possível abertura de inquérito contra ministro
Fábio Bouéri
Os ministros do STF Alexandre Moraes e Dias Toffoli | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilAutoridades que investigam o escândalo financeiro protagonizado pelo Banco Master avaliam que a situação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é juridicamente mais complicada do que a de seu colega Dias Toffoli, segundo informações da CNN Brasil.
De acordo com relatos baseados em materiais apurados até o momento, a relação atribuída a Toffoli estaria, em tese, ligada a uma negociação comercial que envolve parte do resort Tayayá. Já no caso de Moraes, investigadores consideram a hipótese de uma atuação em favor de interesses do ex-banqueiro investigado.
Moraes: articulação contra Nunes Marques
Ainda segundo a CNN Brasil, nesse cenário estaria em curso uma articulação para formar maioria na Corte com o objetivo de barrar a abertura de um inquérito contra Moraes. A estratégia incluiria fragilizar a posição do ministro Kassio Nunes Marques, considerado um dos votos decisivos no caso.
Nesse contexto, ganhou repercussão a informação — revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo — de que o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária. A empresa, por sua vez, teria recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master no mesmo período. A defesa do advogado afirmou que não houve pagamento direto da instituição financeira e que a relação foi indireta, por meio da consultoria.
Nos bastidores, segundo a CNN Brasil, Nunes Marques é visto como próximo do relator do caso, o ministro André Mendonça. A avaliação entre investigadores é que, caso Nunes Marques ou o filho se tornem alvo direto das apurações, o magistrado, sob pressão, poderia mudar de posição sobre a abertura de inquérito.
Quem acompanha o caso calcula haver atualmente maioria apertada pró-abertura de apuração contra Moraes. A favor estariam: Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Nunes Marques. Contra: Cristiano Zanin, Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Moraes não participaria da votação.
Ainda conforme a reportagem, a eventual abertura de investigação dependeria de autorização do plenário do STF. Caso o inquérito seja instaurado, uma possível denúncia dependeria do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Investigadores avaliam como incerta a apresentação de acusação formal contra ministros da Corte.
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